Vítimas da Sociedade

angeli desigualdade social

Acho Bezerra da Silva extraordinário. Muitos, inclusive pagodeiros de longa data, o consideram um sambista engraçado, talvez o protótipo do carioca irreverente, com a sua boina branca e postura de malandro das antigas. Para ser ouvido em churrasco, com muita cerveja e calor, repetindo o refrão dos seus sambas, de preferência bem alto  (Se gritar pega ladrão, não sobra um meu irmão…..).

Por ignorância ou simplesmente alienação política, não levam em conta que Bezerra foi um dos maiores críticos sociais que a MPB já produziu, através de letras inteligentes e bem sacadas críticas a esta hipócrita sociedade. Foi um precursor dos Racionais MC – outro gigante cujas letras, especialmente nos seus dois primeiros CDs, valem mil vezes mais do que muitas teses de doutorado – outro grupo oriundo da periferia que em qualquer lista séria estaria entre os grandes da MPB nos últimos vinte anos.

Lendo as notícias dos últimos dias, sobre o digníssimo presidente da Câmara dos Deputados, terceiro na linha de sucessão na nossa amada República das Bananas, e outras um pouco mais antigas, como por exemplo a tal lista do HSBC, que misteriosamente saiu da grande mídia, me veio a mente o seguinte trecho da música Vítimas da Sociedade:

No morro ninguém tem mansão
Nem casa de campo pra veranear
Nem iate pra passeios marítimos
E nem avião particular
Somos vítimas de uma sociedade
Famigerada e cheia de malícia
No morro ninguém tem milhões de dólares
Depositados nos bancos da Suíça

Se vocês estão a fim de prender o ladrão
Podem voltar pelo mesmo caminho
O ladrão está escondido lá embaixo
Atrás da gravata e do colarinho
O ladrão está escondido lá embaixo
Atrás da gravata e do colarinho

O cara era ou não era um gênio?

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Para mudar tudo

O para mudar tudo é uma iniciativa criada pelo coletivo americano Crimethinc.

Obviamente se pode discordar, mas vale a pena baixar o pdf em português, gastar um tempinho lendo, e refletir.

Há muitas maneiras de se pensar de como viver em sociedade, como ela deveria ser organizada, e não apenas aquelas tradicionais a que estamos acostumados a ver por aí.

Ontem mesmo 01 de Julho assistia o Jornal da Cultura, edição noturna, e um dos debatedores, o professor de filosofia da PUC-SP Luiz Pondé, dizia que “não existe democracia fora de partido político”. Não sei se é desonestidade intelectual ou simples ignorância.

Para mudar tudo é Fora da Zona Verde, não convencional, não linear.

E por isso mesmo merece ser estudado, avaliado, criticado e praticado.

“Historicamente, muito mais danos foram feitos por pessoas que estavam seguindo ordens do que por pessoas que as descumpriam.”

http://paramudartudo.com/

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Jesus Cristo, o maior torcedor da Portuguesa!

Sou um entusiasta por futebol. Acho que nenhum outro esporte consegue expressar todas as grandezas e fraquezas humanas, tais como a generosidade, a mesquinhez, a alegria e o ódio. É um esporte onde a individualidade é importante, mas o coletivo é o elemento preponderante. Messi é gênio, mas ele não conseguiria jogar sozinho. O Barcelona é o que é em parte devido ao seu elenco estelar, mas a harmonia e a organização do seu coletivo – implementado pelo Pep Guardiola – é para mim a grande chave do seu sucesso.

Talvez por isso o futebol seja tão popular, com suas regras simples: na rua ou na praia bastam duas pedras, nem calçado precisa, e a discussão se foi ou não gol é um exemplo da construção do consenso pelo entendimento e dialética.

Bom, pode me mandar ao inferno se você acha que estou exagerando.

Nestes tempos de péssimo futebol – pelo menos aqui nas terras brasileiras – e no meio do furacão devido aos escândalos da FIFA, CBF e a Rede Globo plim plim – o elemento ainda oculto nisto tudo – me peguei imaginando qual o time que Jesus Cristo torceria, se vivo estivesse.

E cheguei a conclusão de que este time é a Portuguesa de Desportos.

Tenho a convicção de que Ele seria um torcedor fanático deste time que é o exemplo da injustiça dentro e fora dos estádios.

A Portuguesa hoje disputa a série C do Brasileiro, e fico imaginando Ele indo ao Canindé com uma túnica branca e vermelha, descalço, sem um puto no bolso exceto apenas para o dinheiro do ingresso na arquibancada e um outro trocado para um bolinho de bacalhau que o bar do estádio vende. Jesus Cristo sofrendo, chorando, xingando polidamente o juiz, e finalmente explodindo de alegria nas raras vezes que o rubro verde balança as redes.

Afinal de contas Ele sempre está e estará ao lado dos sofredores e oprimidos. E se Ele escreveu – ou seus apóstolos, que dizem que dá no mesmo – que é mais fácil um camelo passar por um buraco de agulha do que um rico entrar no reino dos céus, ele certamente, como um amante do futebol, enxergaria na atual crise da Portuguesa uma metáfora dos tempos atuais, onde os pequenos e os miseráveis são expurgados lentamente da sociedade de consumo. Se você não consome o suficiente, não merece viver, vá para a série C, não encha o saco e morra lentamente, ninguém sentirá a sua falta.

Com certeza Jesus Cristo estará pensando nisso, na sua anônima viagem até Guaratinguetá, no próximo sábado, onde a Lusa enfrentará o time local pela 4ª rodada do Brasileirão da série C.

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