O futuro nos mostrará a verdade

images (4)O impeachment já era mais do que esperado. Pelos menos o afastamento, já que na política nada pode se dar como certo. Tudo vai depender dos próximos 180 dias.

Nessa situação de bombardeio de informações relativos à política brasileira tento parar para pensar no que ouço e no que vejo para tentar entender o que está acontecendo no país. Não rejeito em escutar aqueles que pensam ao contrário das minhas convicções porque sempre procuro algum argumento que se encaixe nessa confusão. Nem tampouco só consumo o lado que me agrada para não cair na armadilha daqueles que não conseguem ouvir mais nada. Prefiro desconfiar do que vejo no noticiário porque todo mundo tem um lado, sem exceção e isenção. Acredito que alguns fatos são reais e notórios e aqueles que rejeitam, o fazem por serem mais próximos de suas ideias e por isso mais cômodos e interessantes para si mesmos.É assim que se descobre a natureza humana. Eis alguns:

1º) O real motivo do impeachment da presidente não são as tais pedaladas fiscais e sim um desastroso e incompetente governo. Um fato que demonstra claramente essa situação são os próprios discursos dos parlamentares no Congresso que enfatizam a crise como motivo para a saída de Dilma.

2º) A mídia está empenhada em retirar o poder das mãos do PT. A vontade dos donos de empresas de comunicação se sobressaem num jornalismo que está longe de ser imparcial e mostrar somente os fatos. São tendenciosos e manipulam informações. A maior certeza disso foi o tempo e os recursos atribuídos as investigações relacionadas ao ex-presidente Lula no caso do sítio em Atibaia e no apartamento do Guarujá. Toda história enfatizada num momento conturbado do país.

3º) A Lava jato teve como alvo os integrantes do PT. Todas as pessoas presas são ligadas ao partido.

Não sou petista e tenho certeza que a maior culpada pelo que está acontecendo é a própria Dilma que não soube administrar e governar o país. Também acredito que o sistema político brasileiro atual só colabora em proliferar a corrupção e o clientelismo.

O que é preocupante são as novas maneiras criadas para impor vontades de um grupo que não é o povo, pelo contrário, são as velhas e boas elites de sempre. Um grupo que lucra com a alienação da população e que quer a qualquer custo cortar os direitos adquiridos da classe trabalhadora. O Brasil não é uma empresa, onde o dono manda o diretor embora por ser incompetente. O país é uma República Federativa representada pelo Estado que tem como função zelar pelo povo. Não é tão simples como uma empresa. Os direitos sociais são adquiridos e assegurados por leis que protegem os cidadãos.

Algumas questões para refletir: o processo desse impeachment não pode ser uma receita eficaz a derrubada de governos futuros contrários aos interesses da elite? Os próximos presidentes receosos de serem derrubados, não serão mais reféns de um Congresso corrupto e preocupado com seus próprios interesses? Será que houve realmente a manifestação favorável ao impeachment pela maioria dos brasileiros?

Sbre Eanne

 

Duas lições sobre o impeachment

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Tirei duas lições desse início de processo de impeachment. Primeiro, que fui ingênua ao pensar que não poderia mais haver nenhum tipo de derrubada de governo no Brasil. Acreditava que nossas “instituições eram sólidas” (claro indício de manipulação ouvir tantas vezes a mesma coisa), que o país tinha uma imprensa livre e crítica capaz de zelar pela democracia e que o Brasil não poderia ser comparado a países como Paraguai ou Honduras. Obviamente estava errada.

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Segundo, descobri quão é fácil manipular as pessoas, que claramente o desejo incontrolável de “fazer ou mudar algo”é nutrido dia-a-dia por aqueles que detém o poder de formar opiniões. Esse mesmo desejo plantado leva as pessoas a não aceitarem outros pontos de vista e acabam se tornando intolerantes. Pensava que somente nos rincões pobres existiam pessoas que por falta de escolaridade e por viverem na miséria fossem vulneráveis às manipulações exercidas pelos “coronéis”, pelos poderosos, pelos aristocratas (ingenuidade, falta de conhecimento e preconceito da minha parte).

Agora entendo que a educação formal não é suficiente para libertar as pessoas, que a educação em si não livra o ser humano de ser manipulado e usado conforme os interesses alheios. Agora entendo que somente uma educação critica, a mesma defendida por Paulo Freire pode combater o mal do poder, da ganância e a vontade de manter tudo como está.

Só enxerguei isso depois de ver pessoas com boa escolaridade, pessoas que tiveram oportunidades na vida, que tiveram escolhas, a bradarem uma ideia repetidamente, sem argumentos, sem pensar nas consequências  e sem tentar entender os propósitos dos sujeitos envolvidos nesse episódio. Depois de tudo, sempre lembro as palavras de um professor que tive na pós-graduação, onde fui apresentada a pensadores críticos, “Desconfie de tudo”.

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Em relação ao processo de impeachment, em vez de tagarelar “Fora Dilma” ou “Não vai ter golpe”, prefiro buscar nos livros, na História e ouvir as pessoas sensatas que participaram ativamente desse período sombrio do Brasil, como Caetano Veloso em resposta a uma participante do programa Altas Horas.

Sbre Eanne

Viva a democracia!

Para comemorar esta semana, faremos uma ode à democracia, essa moça tanto desejada, apregoada em todos os lados, seja de cima para baixo, da direita para a esquerda…enfim, nesta terra onde uma nefasta ditadura reinou durante 21 anos, sendo por ela substituída como uma esperança de uma sociedade melhor.

Devemos nos perguntar: é esta a democracia que precisamos para um mundo mais igual e humano? uma democracia altamente verticalizada, onde juiz é deus e delegado doutor?

Democracia sem horizontalidade é conversa para boi dormir.

Noam Chomsky, um dos maiores intelectuais vivos, nos fornece uma uma pequena aula sobre a questão. Veja aqui.

Mas, enquanto isso, celebremos a democracia, nas charges de vários artistas geniais.

Viva! Viva!

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Os eventos de Agosto de 2015

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De um modo geral, melhor analisamos determinado evento tanto quanto dele nos distanciamos temporalmente. Assim a reflexão e a devida contextualização substituem as análises apressadas e o julgamento emocional e superficial. A este processo de maturação se constrói a História.

Daqui a uma década ou mais, creio que uma charge e uma crônica serão referência para uma avaliação dos tempos que vivemos.

Me refiro a charge da genial Laerte, publicada na Folha de S. Paulo e a crônica de Luis Fernando Veríssimo (LFV), que li no Estado de S. Paulo,  ambas publicadas em 20 de Agosto.

Um bocado de gente séria não gostou e entendo que alguém possa ter sinceramente ficado ofendido pela associação feita pela cartunista e pelo cronista.

Mas que é um retrato destes tempos, não tenho a menor dúvida.

As hordas desgovernadas que saíram para protestar foram estratificadas pelo insuspeito Datafolha, mas um vídeo que rolou na net, feita por um chileno no Rio de Janeiro na manifestação de 16 de Agosto ilustra o sanatório geral – que causaria inveja profunda em Charles Manson – do evento.

Encontrei na biblioteca de casa um livro chamado Fanatismo e movimentos de massa (no original The True Believer), que o sociólogo americano Eric Hoffer escreveu em 1951. Como retrato do seu tempo, o autor estava preocupado em entender como movimentos como o nazismo, o fascismo e o estalinismo soviético (o autor menciona também as religiões de modo geral) convenceu tanta gente – incluindo um bocado de gente séria – a fim de provocarem guerras e desgraças por quase todo o século XX.

Hoffer faz um apanhado de grupos sociais que segundo ele são mais frequentes em movimentos de massa: i) novos pobres, que “pulsam com o fermento da frustração”, e “oriundos de uma classe média arruinada [que] formaram o principal esteio do fascismo e do nazismo”; ii) desajustados; iii) os exageradamente egoístas; iv) ambiciosos diante de oportunidades ilimitadas; v) minorias; vi)entediados; vii) pecadores.

Em outra parte do livro, há uma frase de Rudolf Hess, um proeminente dirigente nazista que afirmou: “não procurem Hitler com seus cérebros; todos vocês os acharão com a força dos seus corações”.

E este é o ponto central, a ausência de reflexão crítica e a perda da racionalidade em detrimento das emoções, que em pessoas facilmente manipuláveis como Hoffer descreveu, podem levar a tragédias coletivas que incidem sobre toda a sociedade.

Como na Alemanha nazista, na Itália fascista e na União Soviética estalinista.

Como no Brasil em 1964.

É isso que a charge da Laerte e a crônica do LFV nos alertam hoje, e que espero que não sejam lembradas no futuro como prenúncio de tempos terríveis.

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House of Cards

Terminamos de assistir a terceira temporada de House of Cards (HC), disponível na TV torrent. Trata-se de uma aclamada série feita pela Netflix, tendo obtido vários prêmios desde então e uma ótima recepção na crítica especializada.

A série descreve basicamente os meandros da política americana e suas respectivas correlações: poder político, mídia, poder econômico, poder pessoal. Comentarei a respeito da terceira temporada logo, mas antes gostaria de fazer uma pequena reflexão da política como ela é vista hoje, e que é muito bem retratada nesta charge do Angeli:

AngeliPolitica

Motivado pelo fim da 3ª temporada, reli um pequeno grande ensaio do escritor Paul Goodman chamado A Política Normal e a Psicologia do Poder que está disponível em português aqui. Goodman discorre primeiramente sobre o poder abstrato, que provém de uma fonte exógena, e que é um contraponto ao poder normal, que ele define como “as relações constitucionais entre os interesses funcionais e os grupos de interesses dentro da comunidade em que interagem”. Este poder normal poderia ser imaginado como intrínseco a nós seres humanos e mais genericamente à ordem dos primatas, sendo muitas vezes estudado pelos estudiosos da área, como por exemplo no fantástico livro de Frans de Waal, Chimpanze Politics.

Voltando ao Goodman vale a pena citá-lo mais uma vez: “…inevitavelmente acontece que qualquer homem dotado de ambição deseja obter o Poder e qualquer nação luta para tornar-se o Grande Poder. E quanto maior for a ânsia de poder de alguns, mais necessário parecerá aos outros competir ou submeter-se, para que possam sobreviver – e estarão certos. Muitos se tornam cruéis e impiedosos e outros vivem amedrontados. Mas não é só isso que acontece; o pior ocorre quando os homens começam a pensar que o importante não são os benefícios que o poder lhes permitirá obter mas o poder em si, o prestígio que ele confere…”.

Isto poderia ser perfeitamente uma sinopse de House of Cards, principalmente nas duas primeiras temporadas.

Proudhon, baseado em sua própria experiência pessoal como constituinte, já havia alertado que os políticos são “…justamente os homens que mais completamente desconhecem a situação do país são aqueles que o representam…”

Voltando à série, acho que na terceira temporada de HC os roteiristas quiseram redimir a política com “p” minúsculo e os políticos, impondo aos personagens espasmos de humanidade e preocupações éticas elevadas contrariando um pouco a primeira e a segunda temporada, onde o que se viu foi uma boa ilustração da famosa frase “os fins justificam os meios”, inclusive expondo a mídia como corrupta e basicamente interessada não na verdade pública, mas na verdade baseada unicamente nos seus interesses.

Alguém por exemplo pode imaginar uma primeira dama americana e doublé de secretária de estado, tendo um arroubo humanista em razão de um dissidente gay, e por causa disto perdendo o cargo, e também humilhando um presidente russo com um veemente Shame on You? Ou esta mesma personagem peitando a embaixadora israelense? Ou então um presidente que genuinamente se preocupa com o bem estar da população através da geração de empregos? Meus amigos, mas nem que a porca torça o rabo. Há também, a meu ver, uma certa melodramaticidade que não havia nas duas primeiras temporadas. Como contraponto positivo, algumas cenas bacanas (como quando Frank Underwood diz para sua oponente na corrida presidencial, “agora você é uma de nós”) e o sempre espetacular desempenho de Kevin Spacey e Robin Wright, uma arrogante que dá vontade de socar a televisão. O elenco de apoio também está ótimo, como de praxe em quase todas as séries americanas.

Uma excelente crítica sobre o HC que gostei bastante, embora discordando em alguns poucos pontos, pode ser vista aqui.

Bom, só resta esperar agora a quarta temporada. Mesmo inferior à hors concours Breaking Bad e Sons of Anarchy, (excelente e um tanto subestimada), House of Cards é uma excelente série que eu classificaria como quase imperdível. E para terminar, uma outra charge da genial Laerte:

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Em terra de cego quem tem um olho é rei

Foto: Geraldo Magela/ Agência Estado/ Carta Capital
Foto: Geraldo Magela/ Agência Estado/ Carta Capital

É fato que o Governo atual se mostra incapaz de desenvolver uma articulação eficiente, de mostrar coerência entre o discurso e a prática e dar credibilidade a este mandato, pelo o menos aos seus eleitores. Ou seja, o Governo não contribui para diminuir e abrandar sua auto propaganda desastrosa que só alimenta aos que sentem ódio e não estão dispostos a ver o outro lado da moeda. Sim, toda moeda tem dois lados, e neste caso é a moeda da troca, do famoso “toma lá da cá”, expressão tão recorrente na política brasileira. O mais triste é que o outro lado tem como protagonistas dois políticos que figuram entre os principais líderes do Estado: Renan Calheiros (presidente do Senado) e Eduardo Cunha (presidente da Câmara). Não é exagero dizer que a presidenta está nas mãos destes dois lobos que só aprovam as medidas do Governo se receberem benefícios, como cargos em Ministérios, estatais e por ai vai… Sempre me pergunto como esses oportunistas chegam a um cargo tão importante no cenário político, mesmo que as vezes tenham como base eleitoral Estados pouco expressivos economicamente como é o caso do excelentíssimo Renan Calheiros. Daí vem minha reflexão mais filosófica, que como Aristóteles afirmava, o homem é um animal político, e certas pessoas possuem habilidades e virtudes que se destacam de outras. O fato é que estes dois lordes da política são extremamente articulados, hábeis na arte da negociação e no mínimo persistentes aos objetivos que almejam. E só consigo ver estas qualidades, mesmo que contrária e enojada ao que tudo o que estes hipócritas representam. Sempre lembro da propaganda partidária do PMDB (sigla do partido dos caros cavalheiros), que por uma distração me peguei assistindo e conferindo as hipocrisias lançadas em pleno horário nobre da televisão. O Sr. Eduardo Cunha dizia, entre outras balelas, que já dava início a uma reforma  política de verdade. Para ser de verdade, esses políticos teriam que ter uma virtude que eles não tem: honestidade. E assim se explica como certas pessoas se destacam das outras e exercem o poder, se detém da influência e se perpetuam numa posição privilegiada defendendo os interesses próprios e daqueles que os seguem.

Fontes: Carta Capital, YouTube.

Sbre Eanne

A série House of Cards ganha mais uma temporada em 2016

Foto da internet
Foto da internet

Para quem gosta de séries, House of Cards é indiscutivelmente uma das melhores. Assisti as duas primeiras temporadas praticamente num piscar de olhos. Frank Underwood (Kevin Spacey) e Claire Underwood (Robin Wright) são uma dupla genial que faz de tudo para chegar ao poder. Os desdobramentos de cada episódio e a tomada de cenas onde Frank fala com o espectador são incríveis e fazem dessa série uma trama de intrigas e trapaças surpreendentes, que são um retrato da realidade. Além do casal protagonista, outros personagens enriquecem a narrativa, como Doug Stampler (Michael Kelly), o fiel escudeiro de Frank, que faz o trabalho sujo para proteger o chefe. A forma de contar e filmar as histórias de cada episódio deve-se muito ao grande diretor (que particularmente gosto muito) David Fincher (Seven – 1995, Clube da Luta – 2007, Zodíaco – 2007, O curioso caso de Benjamin Button – 2008, A Rede Social – 2010, Garota Exemplar – 2014. House of Cards são 3 temporadas disponibilizadas pelo Netflix e a expectativa da 4ª temporada que terá início das filmagens em junho de 2015.

Fonte: Omelete

Sbre Eanne