Estudar ou não estudar? Eis a questão.

Sem vv

No mundo de hoje o que mais recebemos durante o dia é informação superficial. Neste caso, estudar é a melhor maneira de obter conhecimento.

Estava lendo alguns textos sobre produção de conteúdo na internet e me deparei com a seguinte explicação: “a internet é feita de dados, que são a matéria-prima da informação e ela que você busca quando digita um w.w.w.. Hoje chamamos a informação de conteúdo e, dependendo das competências cognitivas do usuário/leitor, tudo isso torna-se conhecimento”. Mas para quem acha que conhecimento é tudo que se recebe vindo da internet está cometendo um erro. Vou explicar melhor.

Antigamente, você podia sentar no sofá com seu avô, sua tia, seus pais e eles começavam a contar histórias de vida, “causos” históricos, de família, curiosidades. Minha avó era assim. Estas histórias são conhecimento. Agora ninguém da família tem tempo para isso. Os pais chegam em casa e têm que fazer muitas coisas…os filhos estão ocupados (não importa a idade), porque fazem várias atividades extras e ainda têm que fazer lição de casa, dar uma olhadinha no Facebook, conversar com o amigo no Whatsapp. E a frase mais ouvida em casa é: ” tô ocupado”.

Por isso, se você tem a intenção de voltar a estudar, não pense duas vezes. Digo isso porque estudar é uma das únicas maneiras de você parar um tempo, sentar numa cadeira, se concentrar num assunto e poder entender sobre aquele tema de uma forma mais profunda.

Faça uma especialização, um mestrado (assim como eu, aos 40 anos) ou qualquer curso que vai oferecer a oportunidade de aprofundar um conhecimento sobre algo. Diante tantas informações superficiais, repetidas e às vezes mentirosas, quando você pega um livro de um bom autor (que te ajuda a pensar), você exercita o pensamento e estimula sua capacidade de refletir sobre várias coisas do tema e da vida.

Não se deixe ser bombardeado o dia inteiro (porque mesmo não querendo é inevitável) por informações irrelevantes, que não contribuirão com nada. Exercite sua mente.

sbre-eanne1

Habitus Academicus

Pierre Bourdieu
Pierre Bourdieu

A primeira vez que ouvi essa expressão foi numa das aulas de Formação de Professores do IFSP e se refere ao campo acadêmico. Esse conceito foi difundido por Pierre Bourdieu, sociólogo francês e a grosso modo está relacionado com o hábito do estudo. De uma certa forma, faz parte de um dos deveres de quem está inserido no mundo das letras. Entretanto, pensei que poderia trazer esse conceito para nossa vida cotidiana. Dedicar algumas horas a leitura e ou estudo não é tarefa fácil no meio de tantas coisas a fazer no dia-a-dia. Mas a questão é: quando temos um tempo livre escolhemos estudar um assunto ou ler um livro? Talvez se fosse um hábito, ou seja, uma prática costumeira, daríamos um jeito e naturalmente disponibilizaríamos alguns minutos de nosso dia, que seja, para nos dedicar ao conhecimento. Na verdade, não criamos este hábito por não sermos orientados para tal. Geralmente quando somos crianças, estudar é uma obrigação, uma hora chata e não um prazer como deveria ser. Se é certo que as crianças imitam os pais e aprendem principalmente através dos exemplos dentro de casa, acredito que para interiorizar este hábito é preciso começar a praticá-lo. Assim como os pais ensinam a criança a escovar os dentes todos os dias até virar um costume, a leitura e o estudo também devem fazer parte de uma rotina até se tornar uma tarefa normal e natural. Antes disso, os pais devem criar o hábito de adquirir conhecimento, mesmo que seja por alguns minutos. Nossas tarefas diárias são escolhas a fazer e optar pela leitura e estudo só trará benefícios para si e para os futuros cidadãos.

Continuar lendo Habitus Academicus