Duas lições sobre o impeachment

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Tirei duas lições desse início de processo de impeachment. Primeiro, que fui ingênua ao pensar que não poderia mais haver nenhum tipo de derrubada de governo no Brasil. Acreditava que nossas “instituições eram sólidas” (claro indício de manipulação ouvir tantas vezes a mesma coisa), que o país tinha uma imprensa livre e crítica capaz de zelar pela democracia e que o Brasil não poderia ser comparado a países como Paraguai ou Honduras. Obviamente estava errada.

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Segundo, descobri quão é fácil manipular as pessoas, que claramente o desejo incontrolável de “fazer ou mudar algo”é nutrido dia-a-dia por aqueles que detém o poder de formar opiniões. Esse mesmo desejo plantado leva as pessoas a não aceitarem outros pontos de vista e acabam se tornando intolerantes. Pensava que somente nos rincões pobres existiam pessoas que por falta de escolaridade e por viverem na miséria fossem vulneráveis às manipulações exercidas pelos “coronéis”, pelos poderosos, pelos aristocratas (ingenuidade, falta de conhecimento e preconceito da minha parte).

Agora entendo que a educação formal não é suficiente para libertar as pessoas, que a educação em si não livra o ser humano de ser manipulado e usado conforme os interesses alheios. Agora entendo que somente uma educação critica, a mesma defendida por Paulo Freire pode combater o mal do poder, da ganância e a vontade de manter tudo como está.

Só enxerguei isso depois de ver pessoas com boa escolaridade, pessoas que tiveram oportunidades na vida, que tiveram escolhas, a bradarem uma ideia repetidamente, sem argumentos, sem pensar nas consequências  e sem tentar entender os propósitos dos sujeitos envolvidos nesse episódio. Depois de tudo, sempre lembro as palavras de um professor que tive na pós-graduação, onde fui apresentada a pensadores críticos, “Desconfie de tudo”.

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Em relação ao processo de impeachment, em vez de tagarelar “Fora Dilma” ou “Não vai ter golpe”, prefiro buscar nos livros, na História e ouvir as pessoas sensatas que participaram ativamente desse período sombrio do Brasil, como Caetano Veloso em resposta a uma participante do programa Altas Horas.

Sbre Eanne

Para mudar tudo

O para mudar tudo é uma iniciativa criada pelo coletivo americano Crimethinc.

Obviamente se pode discordar, mas vale a pena baixar o pdf em português, gastar um tempinho lendo, e refletir.

Há muitas maneiras de se pensar de como viver em sociedade, como ela deveria ser organizada, e não apenas aquelas tradicionais a que estamos acostumados a ver por aí.

Ontem mesmo 01 de Julho assistia o Jornal da Cultura, edição noturna, e um dos debatedores, o professor de filosofia da PUC-SP Luiz Pondé, dizia que “não existe democracia fora de partido político”. Não sei se é desonestidade intelectual ou simples ignorância.

Para mudar tudo é Fora da Zona Verde, não convencional, não linear.

E por isso mesmo merece ser estudado, avaliado, criticado e praticado.

“Historicamente, muito mais danos foram feitos por pessoas que estavam seguindo ordens do que por pessoas que as descumpriam.”

http://paramudartudo.com/

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A escola de antigamente era melhor que a de hoje?

Foto: internet
Foto: internet

A escola delimita espaços. Servindo-se de símbolos e códigos, ela afirma o que cada um pode (ou não pode) fazer, ela separa e institui. Informa o “lugar” dos pequenos e dos grandes, dos meninos e das meninas. Através de seus quadros, crucifixos, santas ou esculturas, aponta aqueles/as que deverão ser modelos e permite, também, que os sujeitos se reconheçam (ou não) nesses modelos. O prédio escolar informa a todos/as sua razão de existir. Suas marcas, seus símbolos e arranjos arquitetônicos “fazem sentido”, instituem múltiplos sentidos, constituem distintos sujeitos.

… Ao longo da história, as diferentes comunidades (e no interior delas, os diferentes grupos sociais) construíram modos também diversos de conceber e lidar com o tempo e o espaço: valorizaram de diferentes formas o tempo do trabalho e o tempo do ócio; o espaço da casa ou o da rua; delimitaram os lugares permitidos e os proibidos (e determinaram os sujeitos que podiam ou não transitar por eles); decidiram qual o tempo que importava (o da vida ou o depois dela); apontaram as formas adequadas para cada pessoa ocupar (ou gastar) o tempo… Através de muitas instituições e práticas, essas concepções foram e são aprendidas e interiorizadas; tornam-se quase “naturais” (ainda que sejam “fatos culturais”). A escola é parte importante desse processo.

Trecho extraído do livro (p. 58-59): Gênero, sexualidade e educação.Guacira Lopes Louro – Petrópolis, RJ Uma perspectiva pós-estruturalista / Editora Vozes, 1997.

Depois de ler o trecho acima, penso como foi os primeiros anos de escola. Para entrar na sala, deveríamos fazer uma fila indiana: meninas de um lado, meninos de outro. As meninas colecionavam papel de carta e pulavam amarelinha e os meninos jogavam bola e brincavam de peão. As meninas tinham o estigma de serem obedientes, organizadas, estudiosas e boas em português. Já os meninos eram bagunceiros, porém bons em matemática. Só agora consigo pensar que a escola era como uma fôrma que moldava os estudantes. As crianças precisavam de alguma maneira corresponder as expectativas da sociedade, que eram representadas por pessoas próximas: os pais, o professor, os vizinhos, o médico. Elas tinham que ser como os adultos gostariam que elas fossem. Se alguém não se encaixasse no perfil esperado, logo era visto como um “problema”. Quando as pessoas afirmam que a escola de antigamente era melhor, logo penso: “Claro, a escola era seletiva, não era para todos, por isso era mais fácil o controle sob aqueles que a frequentavam”. Os alunos eram mais homogêneos, em vários sentidos: capital cultural, maioria brancas, famílias aparentemente estruturadas, além da educação no passado ser realmente uma alavanca para um futuro melhor. E agora o que aconteceu com a escola? A escola é para todos, ou pelo menos para a maioria. E essa maioria é diversa, cheia de conflitos, com diferente histórias e desejos. Na verdade, o que mudou foram os alunos, mas e a escola mudou? Ou ainda ela é a mesma: autoritária, reprodutiva de padrões de comportamento, burocrática, moralista e produtora de desigualdades. 

Sbre Eanne

Professora chinesa ensina pendurada numa corda

Foto: Sina.com
Foto: Sina.com

Na cidade de Chengui, na China, a professora Zhu Youfang, ministra aulas na escola Shangluo pendurada numa corda. Ela sofre de uma doença que limita suas funções motoras. Zhu tem experiência de 31 anos lecionando e sua persistência chama a atenção, pois nunca desistiu mesmo nas condições de saúde em que se encontra há pelo menos 3 anos.

Foto: Sina.com
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A professora fica em pé na classe durante 45 minutos de aula segurando uma corda amarrada no teto sob o quadro negro para manter seu equilíbrio. Fora da escola, ela anda com a ajuda do marido, que trabalha no mesmo local. Zhu tem dificuldade de se manter em pé, levantar as mãos, virar a cabeça para os lados e fazer outros movimentos, por isso apoia os braços na parede quando anda.

Foto: Sina.com
Foto: Sina.com
Foto: Sina.com
Foto: Sina.com

Zhu se exercita numa esteira todos os dias por 10 minutos em sua casa, como forma de treinar o corpo. Depois que a história foi divulgada pela mídia, as alunas antigas voltaram à escola para visitá-la.

Foto: Sina.com
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Essa é uma história de superação, como várias outras, mas acredito que o que é importante é sabermos que muitas pessoas tem problemas na vida, seja na China, na Rússia, no Cazaquistão… As vezes pensamos que somos os únicos com dificuldades, mas existem muitas outras pessoas que sofrem e nem por isso desistem de viver, de lutar, de seguir em frente.

Fonte: Sina.com

Sbre Eanne