Filme: The lost honour of Christopher Jefferies

O filme lançado pela Netflix conta a história real do assassinato da jovem Joanna Yeates, então moradora e inquilina do “esquisito”  Christopher Jefferies, um professor universitário aposentado, que é preso suspeito pela morte da garota. Enquanto segue as investigações, Christopher tem sua vida devassada pela imprensa, que diante um sensacionalismo sem limite inventa várias histórias sobre o professor e acaba com sua reputação. Tudo isso acontece principalmente pela extravagante aparência do acusado, que possui hábitos peculiares e acaba sendo um sujeito fora do padrão que a sociedade cria.

O filme é bem interessante até pelo fato de ser uma história real. O ator Jason Watkin interpreta muito bem um homem de meia idade cheio de trejeitos e que é lembrado pelos colegas como uma pessoa correta.

A história é um exemplo de como uma pessoa pode se tornar alvo de julgamentos alheios por se apresentar de forma “diferente” do habitual. Vivemos numa sociedade cheia de estereótipos e quando alguém não se “encaixa” em nenhum deles, pode sofrer preconceitos e acusações inimagináveis. Também é destaque a “fome” da imprensa em produzir histórias sensacionalistas sem a preocupação com as pessoas envolvidas, só se importando em vender exemplares.

Sbre Eanne

 

O papa apaixonado

Papa
Ai meu deus! Como é duro sofrer por amor!

E deu na insuspeita BBC: o papa João Paulo II, cujo papado durou 26 anos, de 1978 até 2005, teve uma relação “intensa” com uma mulher casada por mais de trinta anos. Segundo a reportagem, o então cardeal Karol Wojtila conheceu em 1973 Anna-Teresa Tymieniecka, mantendo desde então uma relação constante, com troca regular de cartas, até incluindo uma estadia do então cardeal na casa de campo da sua musa, nos Estados Unidos.

Papa e Tymieniecka Camping 1978
Karol e Anna-Teresa, curtindo a natureza, em um camping em 1978

Segue um trecho da reportagem:

Em uma carta de 10 de setembro de 1976, ele escreveu: “No ano passado já estava buscando uma resposta a essas palavras: ‘Eu pertenço a você’, e finalmente, antes de partir da Polônia, encontrei uma maneira, um escapulário. A dimensão na qual aceito e sinto você em todo lugar em todos os tipos de situações, quando você está perto e quando está distante.”

Após tornar-se papa, ele escreveu: “Estou escrevendo após o evento, para que a correspondência entre nós continue. Prometo que me lembrarei de tudo nesse novo estágio da minha jornada”.

Esse papa…..

(Ressalte-se que a BBC matreiramente escreve que “não há sugestão de que o papa tenha quebrado seu celibato”. Pausa para rir.)

João Paulo II foi um papa extremamente conservador, chefiando a Igreja Católica com mão de ferro. Teve relações próximas com a Opus Dei, uma facção de extrema direita da Igreja, canonizando seu fundador em 2002. Atacou sem tréguas a Teologia da Libertação, corrente ligada a movimentos sociais e os mais pobres. Para maiores detalhes do seu legado, clique aqui.

Mas voltemos aos amores papais.

Não me conformo que, em pleno século XXI, a Igreja ainda seja capaz de negar a sexualidade inata de todo ser humano. Em graus diferentes, todos nós, temos nossos impulsos e desejos sexuais. A questão do celibato na Igreja Católica é de uma estupidez e um reacionarismo astronômico. O ótimo filme Spotlight, baseado em fatos reais, candidato ao Oscar 2016, retrata um pouco esta questão e o que dela decorre, vale a pena assistir. Não nego que algumas pessoas vivam sem sexo sem ter grandes problemas com isso, mas isto é uma atitude individual; é muito diferente de recusar o sexo devido a uma doutrina imposta sabe-se lá por quem ou quando.

Para quem já leu o Evangelho segundo Jesus Cristo, do genial Saramago, a descrição literária da concepção de Jesus, pelos seus pais José e Maria, é linda e humana.

Mas terminemos este post como uma homenagem ao outrora lânguido Karol Wojtila, pois todo homem apaixonado merece compaixão, nestas letras do também genial Cartola que creio refletem bem a angústia do nosso sofrido personagem:

CARTOLA – AMOR PROIBIDO

Sabes que vou partir
Com os olhos razos d’água
E o coração ferido
Quando lembrar de ti
Me lembrarei também
Deste amor proibido
Fácil demais fui presa
Servi de pasto em tua mesa
Mas fiques certa que jamais
Terás o meu amor
Porque não tens pudor

Faço tudo para evitar o mal
Sou pelo mal perseguido
Só me faltava era esta
Fui trair meu grande amigo
Mas vou limpar a mente
Sei que errei, errei inocente.

sobre parma

A escola na infância

imagesHoje fiquei pensando no significado da escola na nossa vida. Tive uma reunião no colégio da minha filha de 2 anos, onde foi apresentado, entre outras coisas, o que as crianças fazem durante o período que estão em aula. Primeiro, elas sentam em roda e cantam ou conversam sobre o fim de semana, depois trabalham com pintura, desenho, massa de modelar, ouvem histórias e identificam o que é grande ou pequeno, o que é muito ou pouco, as cores, os números, as partes do corpo. Depois tomam o lanche e em seguida tiram uma soneca de descanso. Quando acordam vão para o tanque de areia, o playground, a piscina de bolinha…

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Imaginei que talvez essa seja a melhor fase da escola e infelizmente, talvez a que menos lembramos. Nessa fase as crianças não tem compromissos, nem tarefas, nem pressões de provas, vestibular, nem de faltas. O dever se resume a brincar.

Li um artigo do sociólogo Peter Ludwig Berger onde ele escreve: ” A biografia do indivíduo, desde o nascimento, é a história de suas relações com outras pessoas“. No ato de brincar a criança aprende a conviver em sociedade. São as primeiras regras colocadas fora do ambiente de casa. Emprestar um brinquedo, respeitar a vontade do outro em não emprestar, compartilhar o lanche, guardar a bagunça, fazer carinho no amigo, são os primeiros passos para a criança se encaixar numa sociedade com valores formados. Para Berger, ” o processo por meio do qual o indivíduo aprende a ser um membro da sociedade é designado pelo nome de socialização“. Então nada mais justo dizer que a escola para os pequeninos é a forma de praticar a socialização.

Já ouvi muito que era melhor esperar minha filha ficar mais velha para ir à escola, já que não é uma necessidade. Só que em casa, a criança só recebe as orientações dos pais e família, que muitas vezes são recheadas de gestos complacentes que são carregados de amor, de culpa, de angústias e por isso, na maioria das vezes não são imparciais. E muito pior, quando o filho é único e só tem contato com adultos.

Espero que o argumento da socialização possa ser forte o suficiente para os pais que estão em dúvida em colocar seus filhos na escola por volta dos 2 anos. É saudável tanto para a criança quanto para o adulto porque acredito que o filho deve explorar o mundo ao máximo, mesmo nos primeiros anos de vida, que serão os iniciais vivenciados na escola.

E para os pais que ficam com seus corações apertados é a oportunidade de mostrar aos filhos pouco a pouco que o mundo não se resume à casa deles e que com o passar do tempo é preciso encorajá-los a descobrir novas possibilidades que só irão torná-los mais fortes.

Fonte: Peter L. Berger e Brigitte Berger, “Socialização: como ser um membro da sociedade”

Sbre Eanne

Deus Branco (Fehér isten)

Coloque em um liquidificador húngaro O Planeta dos Macacos, Espártaco e uma pitada de Marley e Eu.

O resultado é um surpreendente filme que é de certa forma, uma crônica dos tempos atuais.

Que eu me lembre, nunca havia visto um filme húngaro. Bom li o ótimo livro Budapeste do Chico Buarque e vi a sua excelente adaptação feita para o cinema, onde muitas das cenas são rodadas no país europeu. Mas definitivamente está longe de ser uma obra húngara de fato.

A Hungria é um país lindíssimo. Estive em Budapest duas vezes e na última estive em um museu que está entre os que mais me impressionaram, a casa do terror, assim batizada em alusão aos dois regimes ditatoriais que assolaram a Hungria no século passado, primeiro o nazismo e depois o estalinismo, na sua variante húngara. As salas foram criadas de forma a passar para o visitante o clima opressor e pesado dos regimes. A iluminação escura, a música de fundo realmente traz desconforto ao visitante. Há um vídeo que nunca me esquecerei, onde uma velhinha dá um depoimento dizendo que ela teve cinco ou seis filhos – não lembro exatamente – e que os nazistas os mataram todos, um a um, sobrando ela e o marido. Como alguém pode sobreviver depois disso é um mistério.

Atualmente, a Hungria é um dos países europeus que vêm registrando nos últimos anos um aumento crescente da extrema direita. Em uma reportagem recente da Deutsche Welle, é descrito que o partido extremista Jobbik está apenas três pontos atrás, segundo as recentes pesquisas, do partido Fidesz que é o partido que exerce o poder. Notar que o Fidesz já é um partido bem conservador. Nacionalismo, preconceito, baixo crescimento econômico, tudo isso é um caldo perfeito para movimentos de massa de extrema direita, mas é isto é tema para outro post.

Mas o que tudo isso tem a ver com o filme? O diretor do filme, Kornél Mundruczó, nasceu em 1975. Em uma recente entrevista, Mundruczó afirmou que filme reflete sobre a relação entre as maiorias, como estas criam as minorias e “… nós criamos nossos monstros, e nós os rotulamos como monstros,  cães de ruas, minorias ou o que você tiver…” e abre o filme citando uma frase do poeta austro-húngaro Rainer Maria Rilke: “tudo o que é terrível precisa do nosso amor”.

Basta lembrar que na Hungria há alguns anos atrás houve uma série de assassinatos a sangue frio praticados por extremistas de direita em pessoas da minoria cigana Roma.

Uma pequena sinopse do filme: uma adolescente Zsófia , filha de pais divorciados, de repente precisa passar uma temporada na casa do pai em razão de uma viagem de trabalho da mãe. O detalhe é que a filhota vem acompanhada do seu cão Hagen. Mas o cão não é aceito pelo pai, e pelos moradores do prédio onde ele vive. Há uma frase para mim emblemática do filme que é quando o síndico do pai vai reclamar sobre o cão e diz “É um cão de rua, de raça misturada, nenhuma raça húngara”. O cão é expulso da casa, solto nas ruas de Budapeste, é preso pela carrocinha, sequestrado por um qualquer e vendido a um amestrador, onde é barbaramente torturado, que instiga violência nele para ser um grande cão de briga. O Marley amoroso do começo do filme transforma-se numa besta sanguinária. Hagen se revolta, torna-se um líder entre os seus pares e incita uma revolução nas ruas de Budapeste procurando seus algozes. Ao se deparar novamente com Zsófia, a canidade – se nós temos humanidade por que os cães não teriam uma canidade? – se manifesta novamente, demonstrando afeto e respeito com alguém que sempre lhe deu atenção e amor.

Um grande achado, um grande filme, merecidamente ganhou o prêmio um certo Regard no festival de Cannes em 2014. Vale a pena ver.

Ficha Técnica

Título: White God (Fehér Isten)

Diretor: Kornél Mundruczó

Roteiro: Kornél Mundruczó

Elenco: Zsófia Psotta, Sándor Zsoster, Lili Horváth, Gergeli Bánki

Produção: Proton Cinema, Pola Pandora Filmproduktions

Distribuição: Magnolia Pictures

Ano: 2014

País: Hungria, Alemanha

Trailer:

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A paulista é nossa!

Acho a Avenida Paulista um grande cartão postal de São Paulo.

Que começa no Paraíso e termina na Consolação.

Fica a 21 km do Capão Redondo, 33 km da Cidade Tiradentes, 37 km de Perus.

Palco de manifestações, conquistas de títulos, revoltas e da Parada Gay.

Lá fica o MASP, o parque Trianon, a Casa das Rosas, o prédio da Gazeta, o teatro popular do SESI, o cinema Reserva Cultural, o conjunto nacional com a livraria Cultura.

Segundo o Wikipédia, foi inaugurada em 8 de Dezembro de 1891.

Mas paulistano adora carro, e ela na maior parte do ano está congestionada, carros, ônibus e vans, para lá e para cá.

Neste último domingo 28 de Junho estivemos na Paulista, fechada para carros em virtude da inauguração da ciclovia. Muita gente pedalando, outras tantas caminhando, dia ensolarado, alto astral, foi uma grande festa. Fomos e voltamos de metrô, sem problema algum, foi um dia agradabilíssimo.

São Paulo é uma cidade com muito poucas opções de lazer, em comparação com a sua imensa população.

Esta iniciativa da prefeitura de São Paulo merece ser muito elogiada, e tomara que ela tenha vindo para ficar. É claro que vozes – as de sempre, reacionárias e doentes – contrárias foram ouvidas, especialmente na grande mídia. Opa, pera aí, isso é pleonasmo…

A paulista é nossa!

Se quiser colaborar, clique em:

http://paneladepressao.nossascidades.org/campaigns/478

A fotos abaixo foram feitas pelo autor.

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Jesus Cristo, o maior torcedor da Portuguesa!

Sou um entusiasta por futebol. Acho que nenhum outro esporte consegue expressar todas as grandezas e fraquezas humanas, tais como a generosidade, a mesquinhez, a alegria e o ódio. É um esporte onde a individualidade é importante, mas o coletivo é o elemento preponderante. Messi é gênio, mas ele não conseguiria jogar sozinho. O Barcelona é o que é em parte devido ao seu elenco estelar, mas a harmonia e a organização do seu coletivo – implementado pelo Pep Guardiola – é para mim a grande chave do seu sucesso.

Talvez por isso o futebol seja tão popular, com suas regras simples: na rua ou na praia bastam duas pedras, nem calçado precisa, e a discussão se foi ou não gol é um exemplo da construção do consenso pelo entendimento e dialética.

Bom, pode me mandar ao inferno se você acha que estou exagerando.

Nestes tempos de péssimo futebol – pelo menos aqui nas terras brasileiras – e no meio do furacão devido aos escândalos da FIFA, CBF e a Rede Globo plim plim – o elemento ainda oculto nisto tudo – me peguei imaginando qual o time que Jesus Cristo torceria, se vivo estivesse.

E cheguei a conclusão de que este time é a Portuguesa de Desportos.

Tenho a convicção de que Ele seria um torcedor fanático deste time que é o exemplo da injustiça dentro e fora dos estádios.

A Portuguesa hoje disputa a série C do Brasileiro, e fico imaginando Ele indo ao Canindé com uma túnica branca e vermelha, descalço, sem um puto no bolso exceto apenas para o dinheiro do ingresso na arquibancada e um outro trocado para um bolinho de bacalhau que o bar do estádio vende. Jesus Cristo sofrendo, chorando, xingando polidamente o juiz, e finalmente explodindo de alegria nas raras vezes que o rubro verde balança as redes.

Afinal de contas Ele sempre está e estará ao lado dos sofredores e oprimidos. E se Ele escreveu – ou seus apóstolos, que dizem que dá no mesmo – que é mais fácil um camelo passar por um buraco de agulha do que um rico entrar no reino dos céus, ele certamente, como um amante do futebol, enxergaria na atual crise da Portuguesa uma metáfora dos tempos atuais, onde os pequenos e os miseráveis são expurgados lentamente da sociedade de consumo. Se você não consome o suficiente, não merece viver, vá para a série C, não encha o saco e morra lentamente, ninguém sentirá a sua falta.

Com certeza Jesus Cristo estará pensando nisso, na sua anônima viagem até Guaratinguetá, no próximo sábado, onde a Lusa enfrentará o time local pela 4ª rodada do Brasileirão da série C.

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A escola de antigamente era melhor que a de hoje?

Foto: internet
Foto: internet

A escola delimita espaços. Servindo-se de símbolos e códigos, ela afirma o que cada um pode (ou não pode) fazer, ela separa e institui. Informa o “lugar” dos pequenos e dos grandes, dos meninos e das meninas. Através de seus quadros, crucifixos, santas ou esculturas, aponta aqueles/as que deverão ser modelos e permite, também, que os sujeitos se reconheçam (ou não) nesses modelos. O prédio escolar informa a todos/as sua razão de existir. Suas marcas, seus símbolos e arranjos arquitetônicos “fazem sentido”, instituem múltiplos sentidos, constituem distintos sujeitos.

… Ao longo da história, as diferentes comunidades (e no interior delas, os diferentes grupos sociais) construíram modos também diversos de conceber e lidar com o tempo e o espaço: valorizaram de diferentes formas o tempo do trabalho e o tempo do ócio; o espaço da casa ou o da rua; delimitaram os lugares permitidos e os proibidos (e determinaram os sujeitos que podiam ou não transitar por eles); decidiram qual o tempo que importava (o da vida ou o depois dela); apontaram as formas adequadas para cada pessoa ocupar (ou gastar) o tempo… Através de muitas instituições e práticas, essas concepções foram e são aprendidas e interiorizadas; tornam-se quase “naturais” (ainda que sejam “fatos culturais”). A escola é parte importante desse processo.

Trecho extraído do livro (p. 58-59): Gênero, sexualidade e educação.Guacira Lopes Louro – Petrópolis, RJ Uma perspectiva pós-estruturalista / Editora Vozes, 1997.

Depois de ler o trecho acima, penso como foi os primeiros anos de escola. Para entrar na sala, deveríamos fazer uma fila indiana: meninas de um lado, meninos de outro. As meninas colecionavam papel de carta e pulavam amarelinha e os meninos jogavam bola e brincavam de peão. As meninas tinham o estigma de serem obedientes, organizadas, estudiosas e boas em português. Já os meninos eram bagunceiros, porém bons em matemática. Só agora consigo pensar que a escola era como uma fôrma que moldava os estudantes. As crianças precisavam de alguma maneira corresponder as expectativas da sociedade, que eram representadas por pessoas próximas: os pais, o professor, os vizinhos, o médico. Elas tinham que ser como os adultos gostariam que elas fossem. Se alguém não se encaixasse no perfil esperado, logo era visto como um “problema”. Quando as pessoas afirmam que a escola de antigamente era melhor, logo penso: “Claro, a escola era seletiva, não era para todos, por isso era mais fácil o controle sob aqueles que a frequentavam”. Os alunos eram mais homogêneos, em vários sentidos: capital cultural, maioria brancas, famílias aparentemente estruturadas, além da educação no passado ser realmente uma alavanca para um futuro melhor. E agora o que aconteceu com a escola? A escola é para todos, ou pelo menos para a maioria. E essa maioria é diversa, cheia de conflitos, com diferente histórias e desejos. Na verdade, o que mudou foram os alunos, mas e a escola mudou? Ou ainda ela é a mesma: autoritária, reprodutiva de padrões de comportamento, burocrática, moralista e produtora de desigualdades. 

Sbre Eanne