“Tudo que vicia começa com C”

E eu nunca tinha pensado no que o sábio Luiz Fernando Veríssimo descreve abaixo.

TUDO QUE VICIA COMEÇA COM C

“Tudo que vicia começa com C. Por alguma razão que ainda desconheço, minha mente foi tomada por uma ideia um tanto sinistra: vícios. Refleti sobre todos os vícios que corrompem a humanidade. Pensei, pensei e, de repente, um insight: tudo que vicia começa com a letra C! De drogas leves a pesadas, bebidas, comidas ou diversões, percebi que todo vício curiosamente iniciava com cê. Inicialmente, lembrei do cigarro que causa mais dependência que muita droga pesada. Cigarro vicia e começa com a letra c. Depois, lembrei das drogas pesadas: cocaína, crack e maconha. Vale lembrar que maconha é apenas o apelido da cannabis sativa que também começa com cê. Entre as bebidas super populares há a cachaça, a cerveja e o café. Os gaúchos até abrem mão do vício matinal do café mas não deixam de tomar seu chimarrão que também – adivinha – começa com a letra c. Refletindo sobre este padrão, cheguei à resposta da questão que por anos atormentou minha vida: por que a Coca-Cola vicia e a Pepsi não? Tendo fórmulas e sabores praticamente idênticos, deveria haver alguma explicação para este fenômeno. Naquele dia, meu insight finalmente revelara a resposta. É que a Coca tem dois cês no nome enquanto a Pepsi não tem nenhum. Impressionante, hein? E o computador e o chocolate? Estes dispensam comentários. Os vícios alimentares conhecemos aos montes, principalmente daqueles alimentos carregados com sal e açúcar. Sal é cloreto de sódio. E o açúcar que vicia é aquele extraído da cana. Algumas músicas também causam dependência. Recentemente, testemunhei a popularização de uma droga musical chamada “créeeeeeu”. Ficou todo o mundo viciadinho, principalmente quando o ritmo atingia a velocidade… cinco. Nesta altura, você pode estar pensando: sexo vicia e não começa com a letra C. Pois você está redondamente enganado. Sexo não tem esta qualidade porque denota simplesmente a conformação orgânica que permite distinguir o homem da mulher. O que vicia é o “ato sexual”, e este é denominado coito. Pois é. Coincidências ou não, tudo que vicia começa com cê. Mas atenção: nem tudo que começa com cê vicia. Se fosse assim, estaríamos salvos pois a humanidade seria viciada em Cultura…”

Sbre Eanne

Histórias de viagem – Comida

Viajar é muito mais que conhecer lugares novos. Antes de tudo é aprender sobre novas culturas, músicas, costumes, comida. Entre muitas coisas que aprendi, uma delas foi a diversidade de alimentos, não só em relação a variedade (que para quem mora no Brasil nem é tão surpreendente por termos essa diversificação de frutas, legumes), mas pela composição dos pratos.

Foto: acervo pessoal: Grand Baazar / Istambul
Foto: acervo pessoal: mercado em Damasco

Desde pequena, aprendi que não podia faltar na mesa o nosso famoso arroz e feijão e mais uma proteína que podia ser um ovo ou carne. Cresci acostumada a comer esse prato e achava que essa combinação era a mais completa. Claro que muitos brasileiros dispõe à mesa do almoço ou jantar essa dupla, pois faz parte da nossa cultura culinária o arroz e feijão. Porém, com o tempo e minhas andanças, descobri que outros povos comem diferentemente dos brasileiros, e em alguns países, a montagem do prato é muito mais completa do que no Brasil (falo da comida do dia-a-dia). Por exemplo, na Turquia (uma das minhas preferidas), há muitas opções de acompanhamentos: berinjela com carne moída, kebab, verduras, se usa muito iogurte, pão tipo sírio, pepino, azeitonas, peixe e para finalizar os deliciosos doces com pistache.

Foto: Internet
Foto: Internet
Foto acervo pessoal: doceria na Turquia
Foto acervo pessoal: doceria na Turquia

Para os sírios, a variedade de ingredientes também é fundamental: coelho, carneiro, hortelã, saladas, verduras, tahine, cuscus, humus, pão sírio, amêndoas, tâmaras, especiarias, babaganouch. São servidos em pequenas porções dentro de cumbucas e muitas vezes se utiliza do pão como talher. Frequentemente há pistaches nos doces e o sorvete mais famoso é de leite com pistaches picados.

Foto acervo pessoal: Damasco / Síria
Foto acervo pessoal: Damasco / Síria

Na Grécia, onde é famosa a chamada cozinha mediterrânea, se usa muito queijo feta, iogurte, salada com tomates e pepinos, verduras. E segue a maneira de comer européia chamada de menu nos restaurantes com uma entrada, prato principal e por último uma sobremesa ou fruta. Abaixo na foto, uma salada de atum, pepinos, tomates, ovos, iogurte.

Foto acervo pessoal: Kos/ Grécia
Foto acervo pessoal: Kos/ Grécia
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Foto acervo pessoal: salada em Atenas / Grécia

Neste dia (foto abaixo), onde comemos num albergue localizado num pequeno vilarejo dos Pirineus, na França, o prato escolhido foi uma salada de entrada, risoto de alho poró como prato principal e de sobremesa um perfeito creme Brulle. A culinária francesa além de ser saborosa tem uma característica que encontramos nas cidades da França: capricho. A moça que servia os pratos nos informou que a salada era de verduras colhidas na hora, da horta. E as flores foram para enfeitar o prato. Além disso, antes da refeição ela nos serviu um aperitivo que nunca mais vou esquecer de tão gostoso. Pena que não peguei o nome.

Foto acervo pessoal: França
Foto acervo pessoal: França

Já na Ásia, mais precisamente no Vietnã, os pratos também são servidos em pequenas porções, com muitas verduras e legumes e sabores levemente picantes. Há bastante molhos e o arroz sempre acompanha as refeições. O prato mais popular é uma sopa chamada de Pho, que pode ser de carne ou ave, como se fosse um caldo. A foto abaixo foi tirada na casa de moradores de um vilarejo chamado Mai Chau. Primeiro tomamos um chá todos juntos e logo depois nos deixaram a sós para desfrutar a refeição.

Foto acervo pessoal: Vietnã
Foto acervo pessoal: Vietnã

Gosto muito também dos famosos noodles, que são sopas com macarrão de arroz e podem ter carne, frango e frutos do mar. Geralmente são picantes. Comemos noodles muitas vezes na Nova Zelândia (lá tem muitos asiáticos) e em Londres.

Depois de experimentar tantos sabores, me tornei mais aberta e flexível nas combinações. Por exemplo, a batata, que é um dos legumes mais consumidos no mundo pode ser substituído pelo arroz. Nunca encontrei feijão cozido com caldo como o nosso nos países que visitei e percebi que ele pode ser trocado facilmente por ervilha e grão-de-bico.

É claro que na nossa alimentação seguimos a nossa história, aquilo que foi nos ensinado e passado de geração para geração. A mesa farta, com porções generosas, o preço das frutas (que apesar de serem caras para nós, em outros países é muito mais), faz parte da nossa cultura e é um privilégio dos brasileiros. Mesmo assim, acredito que seja importante conhecer novos sabores, novas formas de composição dos pratos, novas formas de servir as refeições, pois todo esse conhecimento pode servir de inspiração para uma boa alimentação.