Menino de 2 anos é acusado de bruxo

Anja-Ringgren-Loven-Nigerian-boyUm vídeo que está circulando na internet de um garoto de 2 anos que foi abandonado pelos próprios pais que o acusam de ser um bruxo na Nigéria nos revelam muito mais que a miséria humana. Ele nos mostra a tal ponto pode chegar a ignorância daqueles que se veem “esquecidos” por instituições, deuses, governos, organizações e seja lá o que existir. É a completa falta de esperança.

As imagens falam por si.

Um menino Africano pequeno bebe suavemente água da garrafa. Ele está nu e magro, e os moradores riem dele.
No entanto, a dinamarquêsa Anja Anel Ramo Loven dá-lhe água e biscoitos antes que o garoto seja levado para o hospital.
As imagens, que nos últimos dias se espalharam através das mídias sociais para vários meios de comunicação dinamarqueses e agora chegam à imprensa estrangeira são comoventes.
– Meu maior desejo sempre foi o de gritar para os líderes mundiais, e agora eu gritei ao mundo, diz Anja Anel Ramo Loven.

Mais morto que vivo.
Anja Anel Ramo Loven fundou uma organização de ajuda privada na Nigéria, onde ela vive há três anos.
Lá ela se move para pequenas aldeias para resgatar as crianças que foram rejeitadas pelas famílias e comunidades, porque eles são acusados de serem bruxas crianças.
O documentário “Anja África”, que será mostrado no DR2 durante a primavera, segue o trabalho Anja Anel Ramo Act.
No documentário Anja Anel Ramo Loven fala sobre o menino que mais tarde ela daria o nome de “Esperança”.

– Isso acontece apenas em pequenas comunidades, onde a população é extremamente pobre, e onde há muita superstição, daí as crianças são acusadas de serem bruxas crianças, diz Anja Anel Ramo Loven que diz saber de crianças excluídas quase todos os dias.

É bom esclarecer que as crianças não são acusadas de bruxas pelos pais, mas sim pelos membros da aldeia em que vivem, que podem ser avós, vizinhos, tios ou o padre. É muito raro a acusação ser feita pelos pais. Uma vez que o pequenino é acusado de bruxo, não há mais volta. A única maneira de reverter é praticando um exorcismo, que custa muito caro. Muitas vezes as crianças são torturadas e mortas e os pais são obrigados a expulsá-los da vila.

O menino atualmente está no hospital, mas já tem assegurado uma vaga no orfanato gerenciado pela organização de Anja.

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Para quem quiser contribuir financeiramente pode pagar um valor mensal pelo pay-pal.

Site:http://dinnoedhjaelp.dk/dinnoedhjaelps-arbejde-i-nigeria/

Sbre Eanne

Filme – Beasts of no nations

Agu ( Abraham Attah)
Agu ( Abraham Attah)

Fazia tempo que não assistia a um filme tão tocante como Beasts of no nation. O longa é uma produção da Netflix. No meio de algumas polêmicas que apontam vantagem da empresa em lançar o filme pelo canal e no cinema, há boatos que Beasts of no nation concorrerá ao Oscar 2016 com grandes chances de sucesso. O filme é sobre um país não identificado na África que está em guerra civil (rebeldes e soldados do governo lutam entre si). No meio desta disputa, o destaque é a trajetória do menino Agu (Abraham Attah numa bela interpretação), que foge depois que o vilarejo em que vive é atacado. Então ele é capturado por um fanático que se intitula comandante ( Idris Elba) e possui um exército de meninos soldados. O filme mostra todo o ódio que crianças órfãs sentem ao se verem sozinhas no mundo. O grupo do comandante é a única coisa que lhes resta.

Dada Goodblood ( Idris Elba)
Dada Goodblood ( Idris Elba)

Filmado em Gana, o longa é baseado na obra do escritor nigeriano Uzodinma Iweala’s e dirigido pelo excelente Cary Fukunaga (True Detective). Apesar de ser uma ficção já havia lido sobre uma história real semelhante ao do comandante Dada Goodblood. Joseph Kony era o líder de uma guerrilha que agia na região da África Central. Ele sequestrava crianças e fazia uma lavagem cerebral transformando-as em soldados que cometiam as piores atrocidades. O caso foi divulgado na internet através de um vídeo e acabou sendo o viral mais rápido da história da rede. Além disso, inspirou a criação da organização Invisible Chidren que mobilizou o mundo e lançou a campanha ” Kony 2012″ com o objetivo de chamar a atenção para a tragédia vivida pelos meninos africanos. Vale a pena ver o filme, vale a pena ler o depoimento de um dos discípulos de Kony clicando aqui.

Sbre Eanne

Crianças perdidas

Agora que sou mãe, me sinto mais sensível em relação as notícias de maus tratos e abusos cometidos contra as crianças. Não que antes tinha algum tipo de compreensão ao fato de um adulto se aproveitar de sua capacidade física para ferir (e aí pode se entender de todas as formas) uma criança, mas agora tenho uma melhor percepção da fragilidade e ingenuidade desses pequenos indivíduos. Os abusos são desde sexuais até o abandono e humilhação. Outro dia uma professora do meu curso fez um relato, que uma mãe foi até a escola onde seu filho de 9 anos estudava para pedir que o conselho tutelar cuidasse da criança porque ela não estava apta para tal. Ou seja, o desejo da mãe era se “livrar” de um “problema” que ela não dava conta de resolver, assim como se faz com um aparelho eletrônico que não funciona mais e não tem conserto. Também assisti a um vídeo numa rede social, que uma suposta mãe espancava o filho com um cinto pela rua e o empurrava-o para dentro de casa como se fosse um animal (os animais não mereceriam isso). E hoje li a notícia no blog do Jamil Chade sobre estupros cometidos

Foto: Internet
Foto: Internet

pelas tropas internacionais francesas alocadas na África Central (reportagem no The Guardian), que abusam de crianças que deveriam ser defendidas e protegidas por estes mesmos soldados. É uma vergonha para a humanidade. Mas o fato é que diante tamanha indignação, tristeza e pesar por saber que tantas crianças sofrem no mundo ainda sei que não posso mudar isso. O que posso e devo fazer é me comprometer na educação e no cuidado, proteger a integridade física e moral e contribuir na construção do intelecto da minha filha. É ser responsável, não só no sentido de ter que abrigar e dar comida, mas também em transformar uma criança num adulto que seja capaz de respeitar e compreender o outro. Minha obrigação como mãe e cidadã é refletir sobre o meu discurso e atitudes diante minha filha e não desistir, mas reconsiderar e avaliar o caminho a ser percorrido. É proteger e não se valer da violência como forma de punição ou extravasamento da falta de paciência ou compreensão. Só posso mudar o que está ao meu alcance, mas posso fazer com afinco e dedicação. Se cada um de nós nos responsabilizasse em cuidar de nossas crianças, o mundo estaria bem melhor.

Sbre Eanne