Um abraço sincero

Foto: acervo pessoal
Foto: acervo pessoal

Cheguei de Morro de São Paulo (um lugar lindo) e parei para pensar no que vi. Não foram só paisagens deslumbrantes, mas um abraço caloroso entre o guia que pilotava uma lancha num passeio e uma moça que preparava ostras num bar que flutuava no rio. Fiquei somente observando e percebi que eles eram amigos, que ficaram felizes por terem se encontrado, e por isso, deram um abraço descompromissado e verdadeiro. Eu senti. Daí parei para pensar quantas vezes num ano, que seja, fazemos o mesmo? Quantas vezes abraçamos um amigo ou um vizinho com a mesma sinceridade, vontade e prazer? Hoje, os amigos se acompanham pelo Facebook. Já ouvi muitas vezes: ” eu fico sabendo da sua vida pela rede social”. Pensando na cena dos amigos baianos, isso soa tão frio, tão distante e artificial. Claro, muitas pessoas devem pensar que no meio da correria do dia-a-dia, ver passar a vida dos amigos na timeline talvez seja uma solução para não perder o contato. Mas será que não nos acomodamos por “manter contato” virtual ao invés de sentir o calor de um amigo? Será que estamos cada vez mais se distanciando das pessoas pelas facilidades tecnológicas atuais? Talvez todas essas questões possam ser respondidas mais a frente, quando um abraço apertado fazer parte de uma paisagem.

Sbre Eanne

Um fetiche chamado smartphone

Vi este vídeo no DCM postado pelo Kiko Nogueira, e o achei sensacional.

Outro dia no metrô reparei que nas ruas quase ninguém mais interage,  seja brincando com as crianças, seja olhando para as moças e os moços bonitos que estão por aí, seja simplesmente curtindo a cidade…todo mundo vidrado nos seus celulares, de vários e diferentes modelos e preços. Garota de Ipanema não poderia mais ser composta, pois estaríamos checando alguma rede social via smartphone ao invés de saborear  “o seu balançado (que) é mais que um poema”.

Estamos se tornando macacos não sociais…podendo se conectar on-line com alguém na Papua Nova Guiné mas incapaz de enxergar o que está ao lado.

Eu mesmo tenho que me policiar  vez ou outra.

O filme Her (Ela) conta um pouco disso. Bom, talvez se o meu smartphone tivesse a voz da Scarlett Johansson….

Mas vejam o vídeo, é verdade ou não?

sobre parma

Habitus Academicus

Pierre Bourdieu
Pierre Bourdieu

A primeira vez que ouvi essa expressão foi numa das aulas de Formação de Professores do IFSP e se refere ao campo acadêmico. Esse conceito foi difundido por Pierre Bourdieu, sociólogo francês e a grosso modo está relacionado com o hábito do estudo. De uma certa forma, faz parte de um dos deveres de quem está inserido no mundo das letras. Entretanto, pensei que poderia trazer esse conceito para nossa vida cotidiana. Dedicar algumas horas a leitura e ou estudo não é tarefa fácil no meio de tantas coisas a fazer no dia-a-dia. Mas a questão é: quando temos um tempo livre escolhemos estudar um assunto ou ler um livro? Talvez se fosse um hábito, ou seja, uma prática costumeira, daríamos um jeito e naturalmente disponibilizaríamos alguns minutos de nosso dia, que seja, para nos dedicar ao conhecimento. Na verdade, não criamos este hábito por não sermos orientados para tal. Geralmente quando somos crianças, estudar é uma obrigação, uma hora chata e não um prazer como deveria ser. Se é certo que as crianças imitam os pais e aprendem principalmente através dos exemplos dentro de casa, acredito que para interiorizar este hábito é preciso começar a praticá-lo. Assim como os pais ensinam a criança a escovar os dentes todos os dias até virar um costume, a leitura e o estudo também devem fazer parte de uma rotina até se tornar uma tarefa normal e natural. Antes disso, os pais devem criar o hábito de adquirir conhecimento, mesmo que seja por alguns minutos. Nossas tarefas diárias são escolhas a fazer e optar pela leitura e estudo só trará benefícios para si e para os futuros cidadãos.

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Em terra de cego quem tem um olho é rei

Foto: Geraldo Magela/ Agência Estado/ Carta Capital
Foto: Geraldo Magela/ Agência Estado/ Carta Capital

É fato que o Governo atual se mostra incapaz de desenvolver uma articulação eficiente, de mostrar coerência entre o discurso e a prática e dar credibilidade a este mandato, pelo o menos aos seus eleitores. Ou seja, o Governo não contribui para diminuir e abrandar sua auto propaganda desastrosa que só alimenta aos que sentem ódio e não estão dispostos a ver o outro lado da moeda. Sim, toda moeda tem dois lados, e neste caso é a moeda da troca, do famoso “toma lá da cá”, expressão tão recorrente na política brasileira. O mais triste é que o outro lado tem como protagonistas dois políticos que figuram entre os principais líderes do Estado: Renan Calheiros (presidente do Senado) e Eduardo Cunha (presidente da Câmara). Não é exagero dizer que a presidenta está nas mãos destes dois lobos que só aprovam as medidas do Governo se receberem benefícios, como cargos em Ministérios, estatais e por ai vai… Sempre me pergunto como esses oportunistas chegam a um cargo tão importante no cenário político, mesmo que as vezes tenham como base eleitoral Estados pouco expressivos economicamente como é o caso do excelentíssimo Renan Calheiros. Daí vem minha reflexão mais filosófica, que como Aristóteles afirmava, o homem é um animal político, e certas pessoas possuem habilidades e virtudes que se destacam de outras. O fato é que estes dois lordes da política são extremamente articulados, hábeis na arte da negociação e no mínimo persistentes aos objetivos que almejam. E só consigo ver estas qualidades, mesmo que contrária e enojada ao que tudo o que estes hipócritas representam. Sempre lembro da propaganda partidária do PMDB (sigla do partido dos caros cavalheiros), que por uma distração me peguei assistindo e conferindo as hipocrisias lançadas em pleno horário nobre da televisão. O Sr. Eduardo Cunha dizia, entre outras balelas, que já dava início a uma reforma  política de verdade. Para ser de verdade, esses políticos teriam que ter uma virtude que eles não tem: honestidade. E assim se explica como certas pessoas se destacam das outras e exercem o poder, se detém da influência e se perpetuam numa posição privilegiada defendendo os interesses próprios e daqueles que os seguem.

Fontes: Carta Capital, YouTube.

Sbre Eanne

Professora chinesa ensina pendurada numa corda

Foto: Sina.com
Foto: Sina.com

Na cidade de Chengui, na China, a professora Zhu Youfang, ministra aulas na escola Shangluo pendurada numa corda. Ela sofre de uma doença que limita suas funções motoras. Zhu tem experiência de 31 anos lecionando e sua persistência chama a atenção, pois nunca desistiu mesmo nas condições de saúde em que se encontra há pelo menos 3 anos.

Foto: Sina.com
Foto: Sina.com

A professora fica em pé na classe durante 45 minutos de aula segurando uma corda amarrada no teto sob o quadro negro para manter seu equilíbrio. Fora da escola, ela anda com a ajuda do marido, que trabalha no mesmo local. Zhu tem dificuldade de se manter em pé, levantar as mãos, virar a cabeça para os lados e fazer outros movimentos, por isso apoia os braços na parede quando anda.

Foto: Sina.com
Foto: Sina.com
Foto: Sina.com
Foto: Sina.com

Zhu se exercita numa esteira todos os dias por 10 minutos em sua casa, como forma de treinar o corpo. Depois que a história foi divulgada pela mídia, as alunas antigas voltaram à escola para visitá-la.

Foto: Sina.com
Foto: Sina.com

Essa é uma história de superação, como várias outras, mas acredito que o que é importante é sabermos que muitas pessoas tem problemas na vida, seja na China, na Rússia, no Cazaquistão… As vezes pensamos que somos os únicos com dificuldades, mas existem muitas outras pessoas que sofrem e nem por isso desistem de viver, de lutar, de seguir em frente.

Fonte: Sina.com

Sbre Eanne

Fora da Zona Verde

Frank Zappa, um genial músico estadunidense uma vez disse que “without deviation from the norm, progress is not possible” no que pode ser traduzido como “progresso não é possível sem desvio da norma”. Bom o Zappa realmente sabia das coisas e é uma direta inspiração para o nome deste recém nascido blog. Por que Fora da Zona Verde? A ideia é exercitar a escrita através de reflexões não convencionais, em que a norma corrente ou é contestada ou discutida, em algumas vezes até corroborada, mas sempre com um olhar crítico. Da minha formação de físico trago exemplos espetaculares de progresso produzidos “fora da zona verde”: o advento da Mecânica Quântica talvez seja o mais famoso, e Einstein quando jovem se imaginou viajando na velocidade da luz. No campo político venho de uma família de forte influência anarquista e o anarquismo caminha fora da zona verde o tempo todo. Nascemos e vivemos a maior parte de nossas vidas de uma maneira convencional, e talvez não há como fugir disso, pois afinal somos parte de uma sociedade, em que o coletivo muitas vezes deveria se sobrepor ao individual.

Ah! E zona verde também é um filme bem legal do Paul Greengrass….

Longa vida ao Fora da Zona Verde.

 

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