O gigante Metallica

Uma das bandas mais bem sucedidas no cenário do rock, com 9 milhões de discos vendidos desde 1981 e que nos anos 90 alcançou o ápice da carreira.

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Foto: Internet / Vocalista e guitarrista James Hetfield; baixista Lars Ulrich; guitarrista Kirk Hammett; baixista Robert Trujillo.

Lembro que nessa época gostava de algumas músicas, talvez as mais populares: “Nothing else matters”, “The unforgiven”, “Enter Sandman”, “One”, Sad but true”, pois achava as outras faixas um tanto “pesadas”. Até que um dia fui com o Parma e um amigo ao show da turnê “World Magnetic Tour” em 2010 no Estádio do Morumbi. Um grande show. A estrutura, as músicas, a banda, os efeitos me conquistaram. Depois pesquisando um pouco mais descobri o documentário Metallica: Some Kind of Monster, onde a minha admiração pela banda só aumentou.

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Foto: Internet / As frequentes discussões entre James Hetfield e Lars Ulrich

 O documentário mostra o backstage da gravação do disco St. Anger: a escolha das faixas, o repertório. Enquanto isso, um terapeuta contratado pela banda, acompanha as reuniões dos integrantes com a missão de ajudá-los a superar a crise que enfrentavam. Foi uma época sombria para o Metallica. O baixista Jason Newsted deixa a banda e o vocal James Hetfield está em recuperação depois de 1 ano afastado em reabilitação do álcool. Achei muito bacana porque os integrantes originais esperaram a recuperação do vocalista. Também há cenas das audições em busca da contratação de um novo baixista. O escolhido foi  Robert Trujillo que já havia tocado com o Ozzy Osbourne.

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Foto: Internet / As audições em busca de um novo baixista
Foto: Internet / Robert Trujillo
Foto: Internet / Robert Trujillo

Quando foi anunciado a contratação, o baixista ganhou de cara “para resolver sua situação financeira” 1 milhão de dólares. No filme, o baterista  Lars Ulrich mostra porque é um dos rockeiros mais ricos do mundo: ele tem uma vasta coleção de arte. O documentário é produzido por Joe Berlinger e Bruce Sinofsky, filmado em 2003 e nos dá uma percepção de quanto o Metallica é gigante no cenário da música. Para quem ainda tem dúvida, vale assistir o show que eles fizeram na Antartida, assim sendo uma das poucas bandas se não a única a fazer shows nos 5 continentes.

Sbre Eanne

Um pombo pousou num galho refletindo sobre a experiência

Estando semana passada no Rio de Janeiro para mais uma viagem a trabalho, me ocorreu de ir ao cinema, sempre um ótimo programa. Estava hospedado em Botafogo, e procurando na região encontrei um filme com um nome estranho, que é o nome do post, de origem sueca e que foi o ganhador do Leão de Ouro do festival de Veneza de 2014.

Logo pensei: com um nome desses só pode ser um filme que merece ser classificado como Fora da Zona Verde.

A primeira surpresa agradável foi quando cheguei ao cinema: estação net Botafogo, cinema de rua, me lembrou o Belas Artes e o espaço Unibanco – atual Itaú – , cinema bacana, com gente bacana e em um bairro bem bacana. Até pipoqueiro de verdade tinha! Em frente tem uma livraria bem simpática, que estava cheia em razão de um lançamento. O cinema estará fazendo nas próximas semanas uma retrospectiva dos filmes do Stanley Kubrick.

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A sala 3 em que estava em cartaz o filme é pequena, me lembro que tem uma sala no Belas Artes que também é assim.

Pelo frio que estava parecia até São Paulo.

O filme é uma sucessão de esquetes: os três primeiros são sobre a morte, e pelo menos um é engraçadíssimo, aquele que me pareceu ser uma ante sala de aeroporto. Outro esquete que achei antológico é o que dá o nome ao filme, uma menina que declama uma poesia. A maioria dos esquetes são relacionados, embora não exista linearidade entre eles. Dois personagens são centrais: dois vendedores de entretenimento, bem, na verdade são vendedores de bugigangas, e há momentos muito engraçados, mas também momentos bem tristes e melancólicos. O diretor sueco Roy Andersson fez um pequeno apanhado de alguns aspectos da natureza humana, tanto os bons quanto os tristes, sempre de uma maneira lírica e singela.

Em alguns momentos me lembrou Monty Python e em outros Buñuel no seu discreto charme da Burguesia, especialmente na cena em que o jovem rei entra no pub.

Há margem para discussão em cada esquete do filme.

Gostei muito do filme, é para se rever daqui a um tempo. Pesquisando na Internet, fiquei sabendo que é o último de uma trilogia, os anteriores são Canções do Segundo Andar (2000) e Vocês, Os Vivos (2007). Fiquei curioso, vou procurar assistir, o diretor merece.

Por último, para quem se diverte vendo o Pânico ou o Danilo Gentili provavelmente achará este filme chato. Mas pensando bem, de certa forma este grande filme é uma antítese destes dois programas (sic).

Um Pombo Posou num Galho Refletindo Sobre a Existência

Ano: 2014

Roteiro e Direção: Roy Andersson

Elenco principal: Holger Andersson, Nils Westblom

Gênero: Comédia, Drama

Nacionalidade: Suécia

Longe dos Homens

No filme Longe dos Homens, título original Loin des Hommes, o professor Daru (Viggo Mortensen) tem a missão de levar um argelino Mohamed (Reda Kateb) até a delegacia de polícia na cidade de Tinguit para ser punido com a morte pelo assassinato do seu primo. O pano de fundo da história é a guerra de independência da Argélia que sofre massacrada pelos franceses. Daru, um professor solitário e que serviu ao exército francês tem sua identidade questionada por ser de origem francesa, ” para os argelinos, sou francês e para os franceses, sou árabe”. Durante o trajeto a Tinguit ele acaba se tornando amigo de Mohamed e tenta dissuadi-lo de se entregar a polícia. O filme aborda os conflitos de identidade num país em guerra pela independência, no qual os cidadãos são obrigados a escolher um lado: os franceses ou os rebeldes argelinos? Destaque também para os “arranjos” de famílias que vivem em pequenos povoados árabes e que são destacados no caso de Mohamed, o qual explica o motivo de ter matado o primo. Longe dos Homens é um filme singelo, com uma bela história de amizade e mostra em pequenas falas a radicalização que pode levar a guerra. Destaque para a fotografia do filme, com lindas imagens do deserto.

Foto: internet
Foto: internet

Ficha Técnica
Título no Brasil: Far from Men
Título Original Loin des hommes
Ano de Lançamento 2014
Gênero Drama
País de Origem França
Tempo de Duração: 101 minutos
Direção David Oelhoffen

Sbre Eanne

House of Cards

Terminamos de assistir a terceira temporada de House of Cards (HC), disponível na TV torrent. Trata-se de uma aclamada série feita pela Netflix, tendo obtido vários prêmios desde então e uma ótima recepção na crítica especializada.

A série descreve basicamente os meandros da política americana e suas respectivas correlações: poder político, mídia, poder econômico, poder pessoal. Comentarei a respeito da terceira temporada logo, mas antes gostaria de fazer uma pequena reflexão da política como ela é vista hoje, e que é muito bem retratada nesta charge do Angeli:

AngeliPolitica

Motivado pelo fim da 3ª temporada, reli um pequeno grande ensaio do escritor Paul Goodman chamado A Política Normal e a Psicologia do Poder que está disponível em português aqui. Goodman discorre primeiramente sobre o poder abstrato, que provém de uma fonte exógena, e que é um contraponto ao poder normal, que ele define como “as relações constitucionais entre os interesses funcionais e os grupos de interesses dentro da comunidade em que interagem”. Este poder normal poderia ser imaginado como intrínseco a nós seres humanos e mais genericamente à ordem dos primatas, sendo muitas vezes estudado pelos estudiosos da área, como por exemplo no fantástico livro de Frans de Waal, Chimpanze Politics.

Voltando ao Goodman vale a pena citá-lo mais uma vez: “…inevitavelmente acontece que qualquer homem dotado de ambição deseja obter o Poder e qualquer nação luta para tornar-se o Grande Poder. E quanto maior for a ânsia de poder de alguns, mais necessário parecerá aos outros competir ou submeter-se, para que possam sobreviver – e estarão certos. Muitos se tornam cruéis e impiedosos e outros vivem amedrontados. Mas não é só isso que acontece; o pior ocorre quando os homens começam a pensar que o importante não são os benefícios que o poder lhes permitirá obter mas o poder em si, o prestígio que ele confere…”.

Isto poderia ser perfeitamente uma sinopse de House of Cards, principalmente nas duas primeiras temporadas.

Proudhon, baseado em sua própria experiência pessoal como constituinte, já havia alertado que os políticos são “…justamente os homens que mais completamente desconhecem a situação do país são aqueles que o representam…”

Voltando à série, acho que na terceira temporada de HC os roteiristas quiseram redimir a política com “p” minúsculo e os políticos, impondo aos personagens espasmos de humanidade e preocupações éticas elevadas contrariando um pouco a primeira e a segunda temporada, onde o que se viu foi uma boa ilustração da famosa frase “os fins justificam os meios”, inclusive expondo a mídia como corrupta e basicamente interessada não na verdade pública, mas na verdade baseada unicamente nos seus interesses.

Alguém por exemplo pode imaginar uma primeira dama americana e doublé de secretária de estado, tendo um arroubo humanista em razão de um dissidente gay, e por causa disto perdendo o cargo, e também humilhando um presidente russo com um veemente Shame on You? Ou esta mesma personagem peitando a embaixadora israelense? Ou então um presidente que genuinamente se preocupa com o bem estar da população através da geração de empregos? Meus amigos, mas nem que a porca torça o rabo. Há também, a meu ver, uma certa melodramaticidade que não havia nas duas primeiras temporadas. Como contraponto positivo, algumas cenas bacanas (como quando Frank Underwood diz para sua oponente na corrida presidencial, “agora você é uma de nós”) e o sempre espetacular desempenho de Kevin Spacey e Robin Wright, uma arrogante que dá vontade de socar a televisão. O elenco de apoio também está ótimo, como de praxe em quase todas as séries americanas.

Uma excelente crítica sobre o HC que gostei bastante, embora discordando em alguns poucos pontos, pode ser vista aqui.

Bom, só resta esperar agora a quarta temporada. Mesmo inferior à hors concours Breaking Bad e Sons of Anarchy, (excelente e um tanto subestimada), House of Cards é uma excelente série que eu classificaria como quase imperdível. E para terminar, uma outra charge da genial Laerte:

laerte politica

Birdman – A inesperada virtude da ignorância

Foto da Internet
Foto da Internet

Já tinha ouvido alguns comentários desanimadores  de amigos sobre Birdman (acredito que muitas pessoas não tenham gostado do filme), mas a verdade é que eu adorei… Achei um filme leve, bem sacado, original e divertido. Demorei um pouco para assistir o ganhador do Oscar porque imaginava uma história diferente, talvez cansativa. Mas a surpresa foi agradável tanto das cenas, como dos atores. Michael Keaton está realmente perfeito como Riggan Thompson, Edward Norton como Mike Shiner, Emma Stone como Sam, um elenco que só enriquece o filme dirigido por Alejandro G. Iñárritu (Amores Perros – 2000, 21 gramas – 2003, Babel – 2006, Biutiful – 2010). As virtudes retratadas em Birdman são típicas do sucesso que vai e volta: vaidade, egocentrismo. Destaque para a força da crítica de um jornal famoso que tem o poder de enaltecer ou acabar com um espetáculo, o ambiente desencanado do teatro, a trilha sonora durante todo o filme, as cenas contínuas , sem cortes, a atuação de Michael Keaton. Brilhante.

A série House of Cards ganha mais uma temporada em 2016

Foto da internet
Foto da internet

Para quem gosta de séries, House of Cards é indiscutivelmente uma das melhores. Assisti as duas primeiras temporadas praticamente num piscar de olhos. Frank Underwood (Kevin Spacey) e Claire Underwood (Robin Wright) são uma dupla genial que faz de tudo para chegar ao poder. Os desdobramentos de cada episódio e a tomada de cenas onde Frank fala com o espectador são incríveis e fazem dessa série uma trama de intrigas e trapaças surpreendentes, que são um retrato da realidade. Além do casal protagonista, outros personagens enriquecem a narrativa, como Doug Stampler (Michael Kelly), o fiel escudeiro de Frank, que faz o trabalho sujo para proteger o chefe. A forma de contar e filmar as histórias de cada episódio deve-se muito ao grande diretor (que particularmente gosto muito) David Fincher (Seven – 1995, Clube da Luta – 2007, Zodíaco – 2007, O curioso caso de Benjamin Button – 2008, A Rede Social – 2010, Garota Exemplar – 2014. House of Cards são 3 temporadas disponibilizadas pelo Netflix e a expectativa da 4ª temporada que terá início das filmagens em junho de 2015.

Fonte: Omelete

Sbre Eanne