Miss Sloane – Armas na mesa

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Filme de 2016, Miss Sloane (tradução, Armas na mesa) é um daqueles filmes com diálogos rápidos (ele realmente prende a atenção), protagonizado pela excelente Jessica Chastain (que concorreu ao Oscar este ano). O filme conta a história de uma lobista que faz tudo para alcançar seu objetivo: influenciar no resultado da lei anti-armas.

E mostra ao longo das cenas as artimanhas que ocorrem nos bastidores de uma das maiores industrias americanas: a do lobby. No Brasil esse tipo de negócio não é regulamentado, as influências corporativas no meio público se estabelecem extra oficialmente. Já em solo americano, uma das maiores empresas do ramo, a Squire Patton Bogss emprega por volta de 600 pessoas e tem como clientes mais de 60 países (fonte: GGN). Tudo tem que acontecer registrado e há regras que não podem ser quebradas, como pagar vantagens aos políticos, por exemplo. É claro que tudo é burlado e isso é mostrado no filme.

Vale muito assistir ao filme e pensar o quanto é cruel as relações promíscuas entre políticos que só pensam nas reeleições e empresas empenhadas nos seus próprios interesses. Abaixo o trailer:

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Duas ótimas séries policiais no Netflix

collageboca_0EM primeiro lugar, vamos comentar: com tanta série excelente por aí, quem ainda tem saco para assistir novelas?

É incrível que a cada dia que passa a programação aberta das tevês se torna mais irrelevante e obsoleta. Nada mais arcaico do que o jornal das 8, a novela das 9…isso sem falar no conteúdo, cada vez mais imbecilizante.

Com estes serviços de streaming, como a Netflix, você assiste quando, onde e como quiser. Se quiser assistir no seu smartphone na sua hora do almoço, você pode.

O Brasil será um país melhor quando entrarmos em um consultório médico e a TV não estiver mais sintonizada na TV Globo. Mas isso é outra história.

Vamos lá.

Acabamos de assistir duas excelentes séries policiais disponíveis na Netflix: The Killing e The Fall.

A primeira é produzida pela americana AMC, baseada em uma série original dinamarquesa Forbrydelsen, disponível também no Netflix . Ambientada em Seattle, terra natal do Nirvana, Pearl Jam e de todo o movimento grunge, cidade com um clima desgraçado em que a maior parte dos dias do ano chove, além de fazer um baita frio. No início da série uma adolescente é assassinada, e a investigação cabe a inspetora Sarah Linden (Mireille Enos) e ao seu parceiro Stephen Holder (Joel Kinnaman). Há uma campanha política em curso, que de alguma está relacionada com a morte da garota.

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Um dos grandes méritos da série é a performance excepcional da dupla policial. A atuação da atriz Mireille Enos lembra a de Frances McDormand em Fargo: Sarah Linden não é bonita, nem é uma super policial infalível; ela erra, é cheio de problemas pessoais, não consegue conviver com o filho, enfim, ela é uma pessoa normal, com todas as falhas e qualidades. Joel Kinnaman (que trabalhou na última temporada de House of Cards), seu parceiro, está muito bem também, no papel de um policial adicto que luta com os seus pesadelos. Os dois juntos se completam.

Cada capítulo da série corresponde a um dia de investigação e é impossível assistir só um de cada vez. Ponto aos roteiristas.

Assistimos às duas primeiras temporadas. São quatro no total, e a crítica para as duas últimas são positivas também. Vamos conferir.

Já The Fall se passa em Belfast, Irlanda do Norte, e é uma série inglesa que foi exibida originalmente por um canal irlandês junto com a BBC. Sua protagonista é Gillian Anderson, velha conhecida por seu papel na mítica série X-Files. Gillian é Stella Gibson, experiente policial baseada em Londres que é chamada para Belfast para chefiar uma investigação sobre um serial killer que está matando mulheres jovens com requintes de crueldade.

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Como uma típica série europeia, o seu desenvolvimento é mais lento e linear do que as séries americanas. Há poucas reviravoltas no roteiro, mas a tensão é aumentada continuamente, e o embate psicológico entre os personagens, mas especificamente entre Stella e o suspeito, é sensacional. Os diálogos são muito bem construídos – novamente uma característica dos ingleses.

Stella Gibson não é uma policial comum. Sofisticada, bem preparada e com uma cultura muito acima da média, ela é uma feminista dentro e fora do seu meio, majoritariamente masculino. Ela sabe, por conhecimento profissional, que a perversidade dos homens não tem limites, e que a sociedade perdoa muito mais os desvios e as mais diversas sexopatias quando o homem é o protagonista. O serial killer, cujo nome do personagem vou aqui omitir, poderia ser definido em uma frase de Nelson Rodrigues: “tarado é toda pessoa normal pega em flagrante”.  Claro que é uma piada, o cara é um doente profundo, mas ao mesmo um tempo um cara normal, casado, cuja filha o adora. Mas a série acerta também no seu (serial killer) histórico psicológico, pois afinal de contas de onde vem o mal? Por que tanta gente é tão maldosa e sádica? Não se trata de perdoá-lo, mas entendê-lo.  Outro ponto positivo para The Fall.

É uma série relativamente curta: são 17 capítulos divididos em três temporadas e a última, com seis episódios, é magistral. A violência, quando irrompe, é brutal e seca.

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Não à toa, The Fall recebeu inúmeras críticas extremamente positivas e o público que a assistiu também aprovou: o site Rotten Tomatoes dá 100% de aprovação para as duas primeiras temporadas. O Metacritic também o avalia de forma muito favorável.

Realmente uma das melhores séries policiais de todos os tempos.

sobre parma

Série da Netflix: Bloodline

Quando você pensa que já assistiu as melhores séries da TV aí vem uma que te deixa aficionado até o último episódio. Bloodline é assim. A história gira em torno de um drama familiar: o filho mais velho problemático decide voltar para casa depois de muito tempo ausente. Esse retorno traz a tona segredos que abalam a família aparentemente exemplar dos Rayburn. O interessante é observar como agem as pessoas que sofrem algum tipo de pressão, tanto que o “slogan” da série “não somos pessoas ruins, mas fizemos algo terrível” retrata a angústia dos personagens. Os atores são tão bons que resolvi explorar um pouco suas trajetórias.

Robert Rayburn ( Sam Shepard) – veterano do cinema, atuou em filmes como Os eleitos em 1983, Paris-Texas, 1984, Diário de uma paixão,2004, O assassinato de Jesse James pelo covarde Robert Ford, 2007, Álbum de família, 2013, entre outros.

Sissy Spacek (Sally Rayburn) – atriz americana que já ganhou o Oscar com o filme “O destino mudou sua vida”, 1980 e protagonizou a Carrie no filme “Carrie, a estranha” na versão de 1976 de Stephen King e mais recentemente (2011) Histórias Cruzadas.

Kyle Chandler (John Rayburn) – ator americano que participou de várias séries, como Friday Night Lights e alguns filmes: A hora mais escura (2012) e O lobo de Wall street (2013).

Ben Mendelsohn (Danny Rayburn) – australiano atuou em filmes do seu país como: Austrália (2008), Reino animal (2010) e o Lugar onde tudo termina (2012).

Linda Cardellini (Meg Rayburn) – atriz americana mais conhecida pelo papel de  Velma Dinkley no filme Scooby-Doo (2010) e também participou da série Mad Men (2013).

Norbert Leo Butz (Kevin Rayburn) – é um ator mais conhecido por suas atuações no teatro da Broadway e algumas participações nas séries Law and Order: Criminal Intent (2009) e CSI: Crime Scene Investigation (2010).

Sbre Eanne

 

 

 

Série “Secrets and Lies”

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Nas entre safras de séries (no caso, das que eu assisto) resolvi assistir a “Secrets and lies” motivada principalmente pelas críticas positivas. A história em si não é novidade: uma criança é achada morta pelo vizinho Ben (Ryan Phillippe), numa pequena cidade o que o torna o maior suspeito do crime. A partir daí, em busca da verdade e tentando provar sua inocência, Ben começa a investigar os moradores próximos ao garoto, o que gera desavenças e conflitos. No encalço do protagonista, a detetive  Andrea Cornell (Juliette Lewis) tenta provar que Ben é culpado e não descansa enquanto não conseguir uma confissão. Para piorar, durante o decorrer da história são revelados fatos que podem mudar o rumo das investigações.

Apesar de não ser uma série como Breaking Bad ou House of Cards tratando-se de um enredo bem construído e um roteiro impecável, Secrets and lies é um bom entretenimento e garante aquela ansiedade e curiosidade para assistir ao próximo capítulo. Há algumas falhas na história e a interpretação de Juliette Lewis está um tanto caricata. Na falta do que ter o que ver a série é bem vinda.

Sbre Eanne

 

Filme: The lost honour of Christopher Jefferies

O filme lançado pela Netflix conta a história real do assassinato da jovem Joanna Yeates, então moradora e inquilina do “esquisito”  Christopher Jefferies, um professor universitário aposentado, que é preso suspeito pela morte da garota. Enquanto segue as investigações, Christopher tem sua vida devassada pela imprensa, que diante um sensacionalismo sem limite inventa várias histórias sobre o professor e acaba com sua reputação. Tudo isso acontece principalmente pela extravagante aparência do acusado, que possui hábitos peculiares e acaba sendo um sujeito fora do padrão que a sociedade cria.

O filme é bem interessante até pelo fato de ser uma história real. O ator Jason Watkin interpreta muito bem um homem de meia idade cheio de trejeitos e que é lembrado pelos colegas como uma pessoa correta.

A história é um exemplo de como uma pessoa pode se tornar alvo de julgamentos alheios por se apresentar de forma “diferente” do habitual. Vivemos numa sociedade cheia de estereótipos e quando alguém não se “encaixa” em nenhum deles, pode sofrer preconceitos e acusações inimagináveis. Também é destaque a “fome” da imprensa em produzir histórias sensacionalistas sem a preocupação com as pessoas envolvidas, só se importando em vender exemplares.

Sbre Eanne

 

Spotlight

Spotlight, o filme ganhador do prêmio de melhor filme do Oscar 2016, é um retrato de um jornalismo que quase não mais existe. O excelente filme do diretor Tom McCarthy mostra o dia a dia da equipe Spotlight, um pequeno grupo de repórteres do diário The Boston Globe, que trabalha meses para desvendar vários casos de pedofilia ocorridos na Igreja Católica, envolvendo padres e cardeais. Embora não haja nenhuma cena particularmente chocante, os crimes são escabrosos,  abusos sexuais em crianças de cinco, seis anos. A apuração dos fatos e o longo trabalho dos repórteres não foram fáceis, esbarrando na alta hierarquia da igreja e no silêncio e conivência da sociedade bostoniana.

O filme também merecidamente ganhou o Oscar de melhor roteiro original. O elenco está excelente, com Michael Keaton, Mark Ruffalo, Rachel McAdams, Leiv Schreiber e outros. Hollywood faz de tempos em tempos ótimos filmes sobre jornalismo investigativo, desde o clássico Todos os Homens do Presidente de 1976, sobre o caso Watergate, com Robert Redford e Dustin Hoffman com direção de Alan Pakula e também O Informante (The Insider, no original) de 1999, do grande Michael Mann, com Russell Crowe no papel de um ex-cientista da indústria de cigarro e Al Pacino, no papel do repórter que o convence a contar a história. Mais recentemente, o livro reportagem de Roberto Saviano, Gomorra, sobre as máfias italianas, foi muito bem adaptado para o cinema, sob a direção de Matteo Garrone.

Mas hoje o mundo mudou e a revolução causada pela internet faz com que a informação tenha que ser rapidamente digerida tal como uma comida fast food, e onde o tempo de reflexão da notícia é muito pequeno ou quase zero, pois uma notícia logo precisa ser substituída por outra, e este processo não permite que uma equipe como a Spotlight fique meses  apurando e investigando um só assunto.

Mas acho que o caráter do jornalismo também mudou, e para pior. Tomemos por exemplo o caso do ex-deputado Carli Filho que dirigindo bêbado em altíssima velocidade, matou duas pessoas em Curitiba. O jornalismo investigativo foi patronalmente censurado, como pode ser visto aqui.

Devo muito do meu hábito de leitura aos jornais e revistas. Quando criança e adolescente, influenciado pelo meu pai e tio, lia todas as manhãs o extinto Jornal da Tarde, do grupo Estado, e na época da universidade a Folha de S. Paulo, que assinávamos em casa. Até mais ou menos o início da década de 9o também lia a Veja (confesso!!), antes de ela se tornar este lixo que é hoje.

Muito tristemente, hoje vejo que a imprensa brasileira escrita e televisiva é uma porcaria. Não entendo como alguém ainda pode levar a sério o Jornal Nacional,  cujas   reportagens fariam uma toupeira com Alzheimer se envergonhar.

São cada vez mais raros grandes jornalistas na assim chamada grande mídia, como por exemplo  Janio de Freitas na Folha de S. Paulo (escreve aos domingos e quintas), Jamil Chade no Estadão e Caco Barcellos na TV Globo.

O futuro realmente está na internet e excelentes exemplos de jornalismo investigativo, que dá trabalho e requer paciência, podem ser vistos aqui ou ali ou acolá, como neste caso da mansão de Parati que seria de propriedade da família Marinho da Rede Globo.

Spotlight é um grande filme, sendo um réquiem para um jornalismo cada vez mais raro.

sobre parma

Filme: O Regresso

Já li algumas críticas do filme O Regresso, do diretor que gosto muito Alejandro González Iñárritu e discordo daquelas que apontam o filme como uma invenção para ganhar o Oscar, quase que “moldado” com elementos existentes em ganhadores passados, como a redenção, o sofrimento e blablablá… O filme é entretenimento e diversão, assim como o cinema! Quando quero assistir a filmes “cabeça” escolho um com esse perfil.

O Regresso é aventura e drama. Concordo que houve uns “furos” no roteiro e diria que foram até grandes, mas a fotografia, a atuação do Leonardo Di Caprio como Hugh Glass foram excepcionais e não se pode menosprezar Alejandro Iñárritu que dirigiu “Biutiful”, “Amores Brutos”, “Babel” e o último vencedor do Oscar “Birdman” pela direção do filme.

Prefiro não enumerar as perguntas que ficam sem resposta na história real de um caçador de peles que é abandonado pelo seu grupo e consegue sobreviver as mais terríveis adversidades (melhor o leitor assistir com seus próprios olhos, e se assistiu, pode comentá-las!).

O filme realmente é bom, mas tenho minhas dúvidas se é para ganhar um Oscar. E quanto à interpretação de Leonardo Di Caprio, acho que ele está na mesma posição que Eddie Redmayne em 2015, quando o ator interpretou o físico Stephen Hawking no filme ” A teoria de tudo”. Uma caracterização perfeita que ajuda muito na interpretação.

vlcsnap-2016-02-14-11h26m58s508Na minha opinião Michael Keaton estava fantástico no papel de  Riggan Thomson e merecia o troféu. Acredito que seja muito mais difícil interpretar um personagem “normal”, sem roupas especiais, maquiagem, adornos, efeitos, do que um personagem que tenha esses recursos. Mas, enfim, para nós o que vale é a diversão!

Sbre Eanne