La Tierra y la Sombra

Há uma cena, quase no final do filme, em que dois protagonistas sentam-se em um banco à beira de uma árvore enorme, e o homem comenta com a mulher, “ se lembra quando caminhávamos no meio dos laranjais e outras árvores…” e ela retruca “isto faz muito tempo”. Na imagem, além do banco e da árvore centenária, canaviais por todos os lados.

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Zona canavieira no interior da Colômbia. Um homem volta à sua casa após muitos anos, reencontrando sua mulher, filho, a nora e um neto que nunca havia visto. A casa é muito simples. O filho está muito doente, sofre de insuficiência respiratória causada pelas cinzas proveniente das queimadas. O sustento da casa é feita pela nora e pela mulher, cortadeiras de cana, trabalho miserável, insalubre e cansativo.

Modernidade é por vezes relativa; na família deste filme, ela não trouxe internet, iphones, melhor acesso à educação ou saúde. As relações  trabalhistas retratadas remontam ao início da revolução industrial. A nostalgia dos personagens mais velhos é um fato: no passado as coisas eram melhores, maior dignidade havia em viver.

O filme é quase documental, não há muitos diálogos. A fotografia é melancólica. A miséria e a exploração são elementos constantes, entremeados com pitadas de amor e decência humana, pois como compôs Tom Jobim, a tristeza não tem fim, a felicidade sim. A ausência de religião na parca mobília da casa e nos diálogos sugere que o lugar é tão miserável que até deus esqueceu-se de oferecer ajuda.

 

Há muitas cenas tocantes, como na singela cena do avô brincando de pipa com o neto, o único presente do seu dia de aniversário. Ou na crueza do capataz, dispensando cortadores por “não renderem”, virando-lhes as costas.

Pobre América Latina. Citando Eduardo Galeano, a pobreza antes era considerada obra de injustiça. O mundo moderno considera a pobreza incapacidade.

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Belo filme, recomendadíssimo. Premiado com a Caméra d´or no festival de Cannes de 2015.

FICHA TÉCNICA

Data de lançamento: 17 de dezembro de 2015 (Brasil)

Direção e Roteiro: César Augusto Acevedo

Fotografia: Mateo Guzmán

País:      Colombia

Ano       2015

Gênero                Drama

Duração               97 minutos

Idioma(s)            Espanhol

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Voltando….

LAERTE-04-05-10

Escrever é uma arte sinuosa. Você senta, há uma ideia e precisa desenvolvê-la. O início é um tanto difuso, as palavras não se encaixam, a tecla delete é pressionada inúmeras vezes, você olha para a janela buscando inspiração, quem sabe o espírito de Machado de Assis vem e o post sai em cinco minutos. As frases são finalmente escritas, mas é preciso revisá-las; e o texto completo precisa ser coeso, sem pontas soltas, de modo que a ideia tenha sido – pelo menos razoavelmente – transmitida. E, se alguma reflexão foi causada no eventual leitor, o objetivo é bem sucedido e temos um post decente.

Um dos grandes incentivos em manter um blog no ar é exatamente a arte de exercitar a escrita. Não sendo um blog profissional, há talvez aquela falta de disciplina que temos que ter em nossos empregos: escrevemos quando o tempo permite, e a inspiração tem que estar presente, para que o post seja bem desenvolvido e o resultado aceitável.

A escolha do tema é importante: por vezes, o assunto sobre o qual gostaríamos de escrever não é relevante para outras pessoas; um livro ou filme que muito me influenciou, me tocou, pode nada significar para elas.

Ou não. Escrevemos somente sobre os assuntos de que gostamos, e aí o leitor com o mesmo interesse ou afinidade naturalmente vem, volta e meia interagindo, enriquecendo a discussão e o blog.

Escrever é provocar. E se nem sempre a provocação vem acompanhada de bom conteúdo, pelo menos não passa batido, causa uma reação que pode ser até um breve menear da cabeça, ou então um belo xingamento (“como esse cara escreve merda!”), ou, aleluia, a consagração do missivista (“é exatamente isso que eu penso!”). A passividade do leitor é o pior inimigo do escritor.

Manter um blog no ar não é fácil. Mas aqui estamos, firmes, não muito disciplinados, mas motivados, com tesão de seguir em frente.

Longa vida ao Fora da Zona Verde.

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David Bowie: The man who sold the world

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Vamos lembrar David Bowie, este artista genial falecido em 10 de Janeiro deste ano. Estávamos em Bruxelas e foi muito bacana presenciar uma bonita homenagem a ele na Grand Place (Grote Markt) no dia seguinte da sua morte. A canção se chama The man who sold the world (O homem que vendeu o mundo) e foi gravada originalmente em 1970. O Nirvana a regravou depois no seu disco MTV Unplugged.

Acho que essa letra se encaixa muito bem no dia de hoje.

The Man Who Sold The World (O Homem que vendeu o mundo)

We passed upon the stair (Nós passamos pelo degrau)
We spoke of was and when (Nós falamos do que foi e quando)
Although I wasn’t there (Embora eu não estivesse lá)
He said I was his friend (Ele disse que eu era seu amigo)
Which came as some surprise (O que veio como uma surpresa)
I spoke into his eyes: I thought you died alone (Eu falei direto nos seus olhos: eu pensei que você tivesse morrido sozinho)
A long long time ago (A muito, muito tempo atrás)

Oh no, not me (Oh, não, não eu)
I never lost control (Eu nunca perdi o controle)
You’re face to face (Você está face a face)
With the man who sold the world (Com o homem que vendeu o mundo)

I laughed and shook his hand (Eu ri e apertei a sua mão)
And made my way back home (E fiz meu caminho de volta pra casa)
I searched for form and land (Eu procurei por forma e lar)
For years and years I roamed (por anos e anos eu perambulei)
I gazed a gazeless stare, at all the millions here (Eu contemplava com um vazio olhar à todos os milhões aqui)
We must have died alone (Nós devíamos ter morrido sozinhos)
A long long time ago (A muito, muito tempo atrás)

Who knows? Not me (Quem sabe? eu não)
We never lost control (Nós nunca perdemos o controle)
You’re face to face (Você está face a face)
With the man who sold the world (Com o homem que vendeu o mundo)

O original com o David Bowie pode ser visto aqui.

A versão do Nirvana aqui.

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A versão

Número Zero, Umberto Eco

Até parece que Umberto Eco, grande intelectual italiano falecido recentemente, viveu no Brasil no último ano. Acho que nunca havia lido um romance tão antenado com o momento atual.

O autor é bem conhecido pelo seu (excelente) romance O Nome da Rosa, que teve uma adaptação para o cinema muito bem realizada – porém muito menos erudita que o livro – em 1986, dirigida por Jean Jacques Annaud e estrelada por Sean Connery e um jovem Christian Slater. Mas Umberto Eco foi muito mais: foi um acadêmico de muito prestígio no campo da semiologia e da filosofia medieval e os seus romances invariavelmente trazem uma erudição muito acima da média, sendo alguns realmente  difíceis de enfrentar, porém muito prazerosos se você chega até o final.

Pouco tempo antes de morrer causou polêmica ao afirmar que “As redes sociais dão o direito de falar a uma legião de idiotas que antes só falavam em um bar depois de uma taça de vinho, sem prejudicar a humanidade. Então, eram rapidamente silenciados, mas, agora, têm o mesmo direito de falar que um prêmio Nobel. É a invasão dos imbecis” . Sem dúvida, uma sopa de verdade com uma pitada de arrogância.

Nestes tempos bicudos, encontrei um ensaio dele sobre o fascismo que vale muito a pena ler, caso você se interesse por política e movimentos de massa.

Mas voltemos ao Número Zero.

Itália, 1992, início da operação Mãos Limpas. Um certo Comendador Vimercate, empresário com negócios que vão desde casas de repouso, hotéis e algumas televisões regionais, quer ser aceito no “clube  de elite” dos maiores da Itália. Propõe-se, então, fundar um novo diário, Amanhã, “disposto a dizer a verdade sobre todas as coisas”. Este diário teria pelo menos dez exemplares pilotos, e na verdade, não se sabe se ele realmente será lançado ou então utilizado apenas como moeda de pressão sobre a elite que o Comendador quer pertencer. Uma pequena equipe de repórteres e redatores é contratada para tocar o projeto.

Há uma anedota que diz que se as pessoas soubessem como são fabricadas as salsichas nunca mais as comeriam. Pois bem, Umberto Eco nos descreve, pela pena do protagonista do livro, como são fabricadas, manipuladas, distorcidas as notícias segundo a única lógica do interesse do editor, que é o dono do jornal. “Não são as notícias que fazem o jornal, mas o jornal é que faz as notícias” é uma das frases que se destacam no romance. Sobre técnicas de desmentidos, já que “…era preciso inventar algumas cartas de leitores seguidas de nossos desmentidos”. Sobra até para o horóscopo, pois se deve publicar somente “prognósticos otimistas” e “previsões que sirvam para todos”.

Se algum estudante que quer fazer Jornalismo ler este romance antes do vestibular muda sua opção para Geologia ou Matemática, sem dúvida nenhuma.

Interessante que o romance é fartamente baseado em casos reais, a operação Gladio realmente existiu e o documentário da BBC citado no final do livro pode ser visto no YouTube (em inglês).

Vale lembrar que a fina ironia é uma marca do autor e está presente em todo o livro, e também que o enredo do romance é fundamentalmente italiano, contendo algumas passagens longas que por exemplo, versam sobre a morte de Mussolini, podendo ser cansativas mas que se encaixam quando se chega ao final do livro.

Enfim, Número Zero é um ótimo romance, escrito por um italiano e ambientado em Milão, mas que poderia perfeitamente ter se inspirado na grande mídia brasileira. No seu último romance, Umberto Eco mostra que foi atual até o final da sua grande vida.

  • Número Zero

  • Autor: Umberto Eco

    Tradutor: Ivone Benedetti

    EAN: 9788501104670

    Gênero: Romance estrangeiro

    Páginas: 208

    Editora: Record

    Preço: R$ 37,90

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Violência

Da Violência

Do rio que tudo arrasta se diz que é violento.
Mas ninguém diz violentas
As margens que o comprimem

(Bertold Brecht)

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Goya, Saturno devorando a su hijo

Briga de torcidas neste final de semana: um morto e outra pessoa na UTI.

Na Avenida Paulista, milícias acampadas em frente ao maior sindicato patronal do Brasil espancam pessoas que se vestem de vermelho.

Uma ensandecida professora de direito da USP invoca Deus para enviar legiões para matar a cobra, ou o que ela representa.

Fatos dispersos, aparentemente desconexos, porém intrinsecamente ligados.

Segundo o mapa da violência de 2015, citado em reportagem do jornal El País, o número de pessoas brancas mortas por arma de fogo caiu 23% entre 2003 e 2012 (de 14,5 mortes por 100.000 habitantes para 11,8), a quantidade de vítimas negras aumentou 14,1% no mesmo período: de 24,9 para 28,5. Apenas em 2012 morreram 2,5 mais negros do que brancos (grifos meus).

O Brasil está em 11º no ranking de taxas de homicídio no mundo.

Mas o país não aceita este resultado. Precisamos melhorar este número, pelo menos chegar e permanecer entre os cinco maiores.

Precisamos de mais violência, precisamos mostrar ao mundo quem realmente somos. País com forte herança escravocrata enraizada até a medula na sociedade, país sem nenhum prêmio Nobel, onde estudante e professor são tratados na porrada, violento desde os primórdios.

Violência, violência, violência.

Nós chegaremos lá, estamos trabalhando com afinco e determinação.

Em nome do Pai, da Família e da Pátria.

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O legado das sombras

escravos nas manifestações

Hoje, mais uma vez, haverão várias manifestações pelo país. Protestarão contra a corrupção, a roubalheira na Petrobrás, vários clamarão pela volta do regime militar. Claro, pedirão o impeachment da presidente Dilma Rousseff, a prisão do ex-presidente Lula e se possível o extermínio de todo petralha ou qualquer um que ouse se declarar de esquerda no país. Muito provavelmente, o estrato social dos manifestantes será o mesmo que o insuspeito Datafolha publicou em Agosto do ano passado: 70% maiores de 35 anos, 75% brancos, 76 % possuem curso superior, e 85,6% com renda maior que R$ 2364,00 por mês (72,3% acima de R$ 3.940,00 por mês).

Moema ou Capão Redondo?

Uma boa pista é pesquisar quem e quais são as entidades que organizam ou apoiam estes movimentos. FIESP, Globo, Folha e Estado de S. Paulo; Instituto Millenium, Movimento Brasil Livre, Vem pra Rua e outros. Curiosa a origem de cada uma destas organizações; Por exemplo,  o perfil de Rogerio Chequer, o criador e líder do Vem pra Rua, relata que ele passou parte de sua vida nos Estados Unidos, e aparentemente há ou houve um processo contra ele, relativo a litígios de ordem financeira. Do nada, ressurge  no Brasil como o paladino da democracia e livre mercado. Na página do Instituto Millenium, aba “quem somos”, há a relação dos fundadores e curadores e mantenedores, onde não fica dúvida nenhuma para que ele veio e o que ele defende.

Higienópolis ou Sapopemba?

Na manifestação de hoje alguns políticos já se manifestaram: segundo o portal IG, “Alckmin e Aécio irão juntos a protesto pelo impeachment da Dilma em São Paulo”. Bolsonaro , também. O Estadão publica que ” Os senadores Ronaldo Caiado (DEM-GO), Aloysio Nunes (PSDB-SP), José Serra (PSDB-SP) e os deputados Mendonça Filho (DEM-PE), Carlos Sampaio (PSDB-SP), Paulinho da Força (SDD-SP), e Antonio Imbassahy, líder do PSDB na Câmara, estarão presentes.”

Quem ou o quê estes caras representam?

A presidente Dilma Rousseff é uma péssima gestora, uma política desastrada e uma oradora confusa. Sua eleição, sustentada com uma proposta de centro-esquerda, foi de alguma forma traída, pois suas políticas neoliberais – expressa na escolha do então Ministro Joaquim Levy – são totalmente contrárias a base social que a elegeu; estes sim, teriam toda a razão de sair as ruas e protestar. Sim, o PT infelizmente nada ou pouco fez, desde que ascendeu ao poder, a cortar a estrutura promíscua que existe entre governo e empreiteiras e fornecedores da Petrobrás, que existe desde o começo da República.

Mas o impeachment é um instrumento de golpe, patrocinado pelos mesmos atores de um evento não muito distante na história. Abaixo segue as manchetes do jornal O Globo e O Estado de S. Paulo no início de Abril de 1964, logo após a deposição do presidente legítimo João Goulart pelos militares:

O Globo, 02 de Abril de 1964: “Ressurge a Democracia!”

O Estado de S. Paulo, 02 de Abril de 1964: “Vitorioso o movimento democrático”

Dias antes, em 19 de Março de 1964, em São Paulo, foi realizada a Marcha da Família com Deus pela liberdade” onde os cartazes diziam, segundo reportagem:

“Entre os cartazes exibidos estavam os dizeres “Vermelho bom, só batom”, “Um, dois, três, Brizola no xadrez”, “Verde Amarelo, sem foice e sem martelo”, “Tá chegando a hora, de Jango ir embora”, “O Kremlin não compensa”, “Abaixo o entreguismo vermelho”, “A melhor reforma é o respeito à lei”, “Chega de palhaçada, queremos governo honesto”.

A partir daí, o país viveu 21 anos sob o legado das sombras.

Os atores são os mesmos. A classe média de São Paulo mais uma vez como um grande protagonista.

Não quero isso para a minha filha de 2 anos.

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Spotlight

Spotlight, o filme ganhador do prêmio de melhor filme do Oscar 2016, é um retrato de um jornalismo que quase não mais existe. O excelente filme do diretor Tom McCarthy mostra o dia a dia da equipe Spotlight, um pequeno grupo de repórteres do diário The Boston Globe, que trabalha meses para desvendar vários casos de pedofilia ocorridos na Igreja Católica, envolvendo padres e cardeais. Embora não haja nenhuma cena particularmente chocante, os crimes são escabrosos,  abusos sexuais em crianças de cinco, seis anos. A apuração dos fatos e o longo trabalho dos repórteres não foram fáceis, esbarrando na alta hierarquia da igreja e no silêncio e conivência da sociedade bostoniana.

O filme também merecidamente ganhou o Oscar de melhor roteiro original. O elenco está excelente, com Michael Keaton, Mark Ruffalo, Rachel McAdams, Leiv Schreiber e outros. Hollywood faz de tempos em tempos ótimos filmes sobre jornalismo investigativo, desde o clássico Todos os Homens do Presidente de 1976, sobre o caso Watergate, com Robert Redford e Dustin Hoffman com direção de Alan Pakula e também O Informante (The Insider, no original) de 1999, do grande Michael Mann, com Russell Crowe no papel de um ex-cientista da indústria de cigarro e Al Pacino, no papel do repórter que o convence a contar a história. Mais recentemente, o livro reportagem de Roberto Saviano, Gomorra, sobre as máfias italianas, foi muito bem adaptado para o cinema, sob a direção de Matteo Garrone.

Mas hoje o mundo mudou e a revolução causada pela internet faz com que a informação tenha que ser rapidamente digerida tal como uma comida fast food, e onde o tempo de reflexão da notícia é muito pequeno ou quase zero, pois uma notícia logo precisa ser substituída por outra, e este processo não permite que uma equipe como a Spotlight fique meses  apurando e investigando um só assunto.

Mas acho que o caráter do jornalismo também mudou, e para pior. Tomemos por exemplo o caso do ex-deputado Carli Filho que dirigindo bêbado em altíssima velocidade, matou duas pessoas em Curitiba. O jornalismo investigativo foi patronalmente censurado, como pode ser visto aqui.

Devo muito do meu hábito de leitura aos jornais e revistas. Quando criança e adolescente, influenciado pelo meu pai e tio, lia todas as manhãs o extinto Jornal da Tarde, do grupo Estado, e na época da universidade a Folha de S. Paulo, que assinávamos em casa. Até mais ou menos o início da década de 9o também lia a Veja (confesso!!), antes de ela se tornar este lixo que é hoje.

Muito tristemente, hoje vejo que a imprensa brasileira escrita e televisiva é uma porcaria. Não entendo como alguém ainda pode levar a sério o Jornal Nacional,  cujas   reportagens fariam uma toupeira com Alzheimer se envergonhar.

São cada vez mais raros grandes jornalistas na assim chamada grande mídia, como por exemplo  Janio de Freitas na Folha de S. Paulo (escreve aos domingos e quintas), Jamil Chade no Estadão e Caco Barcellos na TV Globo.

O futuro realmente está na internet e excelentes exemplos de jornalismo investigativo, que dá trabalho e requer paciência, podem ser vistos aqui ou ali ou acolá, como neste caso da mansão de Parati que seria de propriedade da família Marinho da Rede Globo.

Spotlight é um grande filme, sendo um réquiem para um jornalismo cada vez mais raro.

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