O legado das sombras

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escravos nas manifestações

Hoje, mais uma vez, haverão várias manifestações pelo país. Protestarão contra a corrupção, a roubalheira na Petrobrás, vários clamarão pela volta do regime militar. Claro, pedirão o impeachment da presidente Dilma Rousseff, a prisão do ex-presidente Lula e se possível o extermínio de todo petralha ou qualquer um que ouse se declarar de esquerda no país. Muito provavelmente, o estrato social dos manifestantes será o mesmo que o insuspeito Datafolha publicou em Agosto do ano passado: 70% maiores de 35 anos, 75% brancos, 76 % possuem curso superior, e 85,6% com renda maior que R$ 2364,00 por mês (72,3% acima de R$ 3.940,00 por mês).

Moema ou Capão Redondo?

Uma boa pista é pesquisar quem e quais são as entidades que organizam ou apoiam estes movimentos. FIESP, Globo, Folha e Estado de S. Paulo; Instituto Millenium, Movimento Brasil Livre, Vem pra Rua e outros. Curiosa a origem de cada uma destas organizações; Por exemplo,  o perfil de Rogerio Chequer, o criador e líder do Vem pra Rua, relata que ele passou parte de sua vida nos Estados Unidos, e aparentemente há ou houve um processo contra ele, relativo a litígios de ordem financeira. Do nada, ressurge  no Brasil como o paladino da democracia e livre mercado. Na página do Instituto Millenium, aba “quem somos”, há a relação dos fundadores e curadores e mantenedores, onde não fica dúvida nenhuma para que ele veio e o que ele defende.

Higienópolis ou Sapopemba?

Na manifestação de hoje alguns políticos já se manifestaram: segundo o portal IG, “Alckmin e Aécio irão juntos a protesto pelo impeachment da Dilma em São Paulo”. Bolsonaro , também. O Estadão publica que ” Os senadores Ronaldo Caiado (DEM-GO), Aloysio Nunes (PSDB-SP), José Serra (PSDB-SP) e os deputados Mendonça Filho (DEM-PE), Carlos Sampaio (PSDB-SP), Paulinho da Força (SDD-SP), e Antonio Imbassahy, líder do PSDB na Câmara, estarão presentes.”

Quem ou o quê estes caras representam?

A presidente Dilma Rousseff é uma péssima gestora, uma política desastrada e uma oradora confusa. Sua eleição, sustentada com uma proposta de centro-esquerda, foi de alguma forma traída, pois suas políticas neoliberais – expressa na escolha do então Ministro Joaquim Levy – são totalmente contrárias a base social que a elegeu; estes sim, teriam toda a razão de sair as ruas e protestar. Sim, o PT infelizmente nada ou pouco fez, desde que ascendeu ao poder, a cortar a estrutura promíscua que existe entre governo e empreiteiras e fornecedores da Petrobrás, que existe desde o começo da República.

Mas o impeachment é um instrumento de golpe, patrocinado pelos mesmos atores de um evento não muito distante na história. Abaixo segue as manchetes do jornal O Globo e O Estado de S. Paulo no início de Abril de 1964, logo após a deposição do presidente legítimo João Goulart pelos militares:

O Globo, 02 de Abril de 1964: “Ressurge a Democracia!”

O Estado de S. Paulo, 02 de Abril de 1964: “Vitorioso o movimento democrático”

Dias antes, em 19 de Março de 1964, em São Paulo, foi realizada a Marcha da Família com Deus pela liberdade” onde os cartazes diziam, segundo reportagem:

“Entre os cartazes exibidos estavam os dizeres “Vermelho bom, só batom”, “Um, dois, três, Brizola no xadrez”, “Verde Amarelo, sem foice e sem martelo”, “Tá chegando a hora, de Jango ir embora”, “O Kremlin não compensa”, “Abaixo o entreguismo vermelho”, “A melhor reforma é o respeito à lei”, “Chega de palhaçada, queremos governo honesto”.

A partir daí, o país viveu 21 anos sob o legado das sombras.

Os atores são os mesmos. A classe média de São Paulo mais uma vez como um grande protagonista.

Não quero isso para a minha filha de 2 anos.

sobre parma

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