O papa apaixonado

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Papa
Ai meu deus! Como é duro sofrer por amor!

E deu na insuspeita BBC: o papa João Paulo II, cujo papado durou 26 anos, de 1978 até 2005, teve uma relação “intensa” com uma mulher casada por mais de trinta anos. Segundo a reportagem, o então cardeal Karol Wojtila conheceu em 1973 Anna-Teresa Tymieniecka, mantendo desde então uma relação constante, com troca regular de cartas, até incluindo uma estadia do então cardeal na casa de campo da sua musa, nos Estados Unidos.

Papa e Tymieniecka Camping 1978
Karol e Anna-Teresa, curtindo a natureza, em um camping em 1978

Segue um trecho da reportagem:

Em uma carta de 10 de setembro de 1976, ele escreveu: “No ano passado já estava buscando uma resposta a essas palavras: ‘Eu pertenço a você’, e finalmente, antes de partir da Polônia, encontrei uma maneira, um escapulário. A dimensão na qual aceito e sinto você em todo lugar em todos os tipos de situações, quando você está perto e quando está distante.”

Após tornar-se papa, ele escreveu: “Estou escrevendo após o evento, para que a correspondência entre nós continue. Prometo que me lembrarei de tudo nesse novo estágio da minha jornada”.

Esse papa…..

(Ressalte-se que a BBC matreiramente escreve que “não há sugestão de que o papa tenha quebrado seu celibato”. Pausa para rir.)

João Paulo II foi um papa extremamente conservador, chefiando a Igreja Católica com mão de ferro. Teve relações próximas com a Opus Dei, uma facção de extrema direita da Igreja, canonizando seu fundador em 2002. Atacou sem tréguas a Teologia da Libertação, corrente ligada a movimentos sociais e os mais pobres. Para maiores detalhes do seu legado, clique aqui.

Mas voltemos aos amores papais.

Não me conformo que, em pleno século XXI, a Igreja ainda seja capaz de negar a sexualidade inata de todo ser humano. Em graus diferentes, todos nós, temos nossos impulsos e desejos sexuais. A questão do celibato na Igreja Católica é de uma estupidez e um reacionarismo astronômico. O ótimo filme Spotlight, baseado em fatos reais, candidato ao Oscar 2016, retrata um pouco esta questão e o que dela decorre, vale a pena assistir. Não nego que algumas pessoas vivam sem sexo sem ter grandes problemas com isso, mas isto é uma atitude individual; é muito diferente de recusar o sexo devido a uma doutrina imposta sabe-se lá por quem ou quando.

Para quem já leu o Evangelho segundo Jesus Cristo, do genial Saramago, a descrição literária da concepção de Jesus, pelos seus pais José e Maria, é linda e humana.

Mas terminemos este post como uma homenagem ao outrora lânguido Karol Wojtila, pois todo homem apaixonado merece compaixão, nestas letras do também genial Cartola que creio refletem bem a angústia do nosso sofrido personagem:

CARTOLA – AMOR PROIBIDO

Sabes que vou partir
Com os olhos razos d’água
E o coração ferido
Quando lembrar de ti
Me lembrarei também
Deste amor proibido
Fácil demais fui presa
Servi de pasto em tua mesa
Mas fiques certa que jamais
Terás o meu amor
Porque não tens pudor

Faço tudo para evitar o mal
Sou pelo mal perseguido
Só me faltava era esta
Fui trair meu grande amigo
Mas vou limpar a mente
Sei que errei, errei inocente.

sobre parma

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