O Carnaval dos pobres e ricos

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O Carnaval é uma festa popular trazida pelos portugueses no período colonial. Uma das primeiras manifestações desta festa foi chamada de Entrudo e era praticada pelos escravos da colônia. Eles saiam nas ruas com suas caras pintadas, jogavam bolinhas de água de cheiro nas pessoas. O entrudo era considerado uma festa ofensiva e violenta, mas mesmo assim muito popular na época. 

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As famílias abastadas não comemoravam junto aos populares, então ficavam em suas casas divertindo-se com brincadeiras. As moças de boa reputação ficavam nas janelas jogando água nos transeuntes.

Em meados do século XIX, no Rio de Janeiro, o Entrudo foi considerado crime, principalmente após uma campanha da imprensa em acabar com a manifestação popular praticada nas ruas. Enquanto isso, a elite do Império criava os bailes de Carnaval em clubes e teatros.

Mas as camadas populares não desistiram de suas práticas carnavalescas, adaptando-se às tentativas de disciplinamento policial com a criação dos cordões e ranchos. Os primeiros incluíam a utilização da estética das procissões religiosas com manifestações populares, como a capoeira e os zé-pereiras, tocadores de grandes bumbos. Os ranchos eram cortejos praticados principalmente pelas pessoas de origem rural.

É claro que ao longo do tempo o Carnaval se transformou na festa que é hoje. Mas veja bem, meu caro amigo, muitas coisas não mudaram. Apesar do Carnaval ter recebido influências do povo brasileiro e ter se tornado um evento de grande importância no país, ainda é uma manifestação cultural segregada entre ricos e pobres.

Basta ver os trios elétricos e as chamadas “pipocas” e “abadás”. O primeiro arrasta a massa que não pagou pela segurança e status que o segundo proporciona através de cordões de isolamento. E o que dizer das escolas de samba, onde quem tem mais paga pelas fantasias mais luxuosas ou assiste a tudo pelos confortáveis camarotes.

Os blocos carnavalescos que poderiam ser a reação popular estão minguando e muitas pessoas preferem assistir o espetáculo pela TV. São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador tratam claramente o Carnaval como um espetáculo longe de ser popular, haja visto as palavras do prefeito da capital baiana: ” Salvador voltou a estar na moda”.

Ainda bem que as troças (grupos formados de amigos e familiares em Recife e Olinda) ainda resistem aos tempos. Eles decidem pelo próprio trajeto e saem pelas ruas tocando seus próprios ritmos, com fantasias criativas e não precisam pagar nada por isso. É o frevo, o maracatu, o caboclinho, a ciranda, o coco-de-roda, o samba, o afoxé, o manguebeat que conquista os foliões pela espontaneidade e alegria. Essa é a verdadeira evolução do Entrudo!

Nem de longe quero ser uma chata com este post, logo depois do Carnaval, nestes dias cinzentos, apontando defeitos e pertubações desta festa. Mas é sempre bom lembrar o nosso caminho nesta história.

Fontes: Viagem de Férias, Brasil Escola.

 Sbre Eanne

 

 

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