Japonês cria blog e “falsifica” a felicidade

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Quando a gente pensa que já viu de tudo nesse mundo, sai uma notícia inusitada no G1. Um japonês chamado Keisuke Jinushi tem um blog ensinando as pessoas a tirarem fotos em vários lugares como se estivesse se divertindo com alguém, sendo que na realidade a pessoa estaria sozinha. No Instagram ele aparece em várias fotos como se estivesse com a namorada e na verdade ele utiliza montagens e truques para parecer que está acompanhado e feliz. Fiquei pensando no significado de felicidade para o Keisuke e muitas outras pessoas também.

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No meio de tantos estereótipos, a vida se torna um clichê através de uma foto. Como se um instante captado por uma câmera retratasse a maior parte da realidade. Como se fosse importante, e por que não dizer obrigação de mostrar o tempo todo a felicidade para o mundo. E como se só existisse pessoas lindas e felizes!

Não que eu seja contra as fotos nas Redes Sociais, mas sempre me pergunto por que as pessoas tem tanta necessidade em mostrar suas vidas publicamente? E muitas vezes de forma tão rotulada nas imagens de felicidade e alegria. Mas alguns podem comentar:” Mas são meus amigos!!!”, sim, e quando nos encontramos não temos mais o que contar! “Já sei o que você você fez no feriado…”.

Prefiro fazer minha reflexão sobre esse assunto por um ângulo diferente, baseado na história de uma amiga que infelizmente estava muito doente psicologicamente. O que me intriga é o poder de influência que estes posts podem exercer para as pessoas que sofrem de algum problema grave emocional, como por exemplo, depressão. Imagino uma pessoa sofrendo deste mal e vendo as pessoas tão felizes e parecendo não ter problemas, o que ela pensaria? Só eu sou infeliz neste mundo… Muitos pensam que é só uma brincadeira, que é exagero, que é óbvio que ninguém é feliz o tempo todo. Mas como diria D. Ruth, o óbvio não existe. E a pessoa que está debilitada pela baixa auto-estima e infeliz pode ter a certeza que lhe ronda a cabeça de ser o ser mais inferior do mundo.

Talvez essa seja uma característica do ser humano, insuflada pela moda, pela mídia, pelas celebridades, pela sociedade. Sendo assim, só me resta contestar pelas sábias palavras de Fernando Pessoa, no Poema em Linha Reta:

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe – todos eles príncipes – na vida…

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos – mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

Sbre Eanne

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