Um pombo pousou num galho refletindo sobre a experiência

Estando semana passada no Rio de Janeiro para mais uma viagem a trabalho, me ocorreu de ir ao cinema, sempre um ótimo programa. Estava hospedado em Botafogo, e procurando na região encontrei um filme com um nome estranho, que é o nome do post, de origem sueca e que foi o ganhador do Leão de Ouro do festival de Veneza de 2014.

Logo pensei: com um nome desses só pode ser um filme que merece ser classificado como Fora da Zona Verde.

A primeira surpresa agradável foi quando cheguei ao cinema: estação net Botafogo, cinema de rua, me lembrou o Belas Artes e o espaço Unibanco – atual Itaú – , cinema bacana, com gente bacana e em um bairro bem bacana. Até pipoqueiro de verdade tinha! Em frente tem uma livraria bem simpática, que estava cheia em razão de um lançamento. O cinema estará fazendo nas próximas semanas uma retrospectiva dos filmes do Stanley Kubrick.

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A sala 3 em que estava em cartaz o filme é pequena, me lembro que tem uma sala no Belas Artes que também é assim.

Pelo frio que estava parecia até São Paulo.

O filme é uma sucessão de esquetes: os três primeiros são sobre a morte, e pelo menos um é engraçadíssimo, aquele que me pareceu ser uma ante sala de aeroporto. Outro esquete que achei antológico é o que dá o nome ao filme, uma menina que declama uma poesia. A maioria dos esquetes são relacionados, embora não exista linearidade entre eles. Dois personagens são centrais: dois vendedores de entretenimento, bem, na verdade são vendedores de bugigangas, e há momentos muito engraçados, mas também momentos bem tristes e melancólicos. O diretor sueco Roy Andersson fez um pequeno apanhado de alguns aspectos da natureza humana, tanto os bons quanto os tristes, sempre de uma maneira lírica e singela.

Em alguns momentos me lembrou Monty Python e em outros Buñuel no seu discreto charme da Burguesia, especialmente na cena em que o jovem rei entra no pub.

Há margem para discussão em cada esquete do filme.

Gostei muito do filme, é para se rever daqui a um tempo. Pesquisando na Internet, fiquei sabendo que é o último de uma trilogia, os anteriores são Canções do Segundo Andar (2000) e Vocês, Os Vivos (2007). Fiquei curioso, vou procurar assistir, o diretor merece.

Por último, para quem se diverte vendo o Pânico ou o Danilo Gentili provavelmente achará este filme chato. Mas pensando bem, de certa forma este grande filme é uma antítese destes dois programas (sic).

Um Pombo Posou num Galho Refletindo Sobre a Existência

Ano: 2014

Roteiro e Direção: Roy Andersson

Elenco principal: Holger Andersson, Nils Westblom

Gênero: Comédia, Drama

Nacionalidade: Suécia

Go Corinthians para o Obama?

Foi inusitado, alguns diriam até farsesco, outros argumentariam a que ponto chegamos, mas durante um discurso feito pelo Obama, realizado hoje na Casa Branca, em homenagem ao mês do orgulho LGBT, um incauto grita “Vai Corinthians” e logo depois o Obama fala “Come on guys”.  Ainda não se sabe, e certamente ninguém saberá – exceto ele mesmo e quem sabe a Michelle – o que ele pensou depois, talvez “com o Tite não dá mais” ou “porque eles não sobem os garotos da base, pô”

Essa nem o meu pai, os meus tios, o Vicente Matheus e o Juca Kfouri sonhariam em ver.

Vai Corinthians na Casa Branca!!

Seria o final do fim do mundo?

sobre parma

Longe dos Homens

No filme Longe dos Homens, título original Loin des Hommes, o professor Daru (Viggo Mortensen) tem a missão de levar um argelino Mohamed (Reda Kateb) até a delegacia de polícia na cidade de Tinguit para ser punido com a morte pelo assassinato do seu primo. O pano de fundo da história é a guerra de independência da Argélia que sofre massacrada pelos franceses. Daru, um professor solitário e que serviu ao exército francês tem sua identidade questionada por ser de origem francesa, ” para os argelinos, sou francês e para os franceses, sou árabe”. Durante o trajeto a Tinguit ele acaba se tornando amigo de Mohamed e tenta dissuadi-lo de se entregar a polícia. O filme aborda os conflitos de identidade num país em guerra pela independência, no qual os cidadãos são obrigados a escolher um lado: os franceses ou os rebeldes argelinos? Destaque também para os “arranjos” de famílias que vivem em pequenos povoados árabes e que são destacados no caso de Mohamed, o qual explica o motivo de ter matado o primo. Longe dos Homens é um filme singelo, com uma bela história de amizade e mostra em pequenas falas a radicalização que pode levar a guerra. Destaque para a fotografia do filme, com lindas imagens do deserto.

Foto: internet
Foto: internet

Ficha Técnica
Título no Brasil: Far from Men
Título Original Loin des hommes
Ano de Lançamento 2014
Gênero Drama
País de Origem França
Tempo de Duração: 101 minutos
Direção David Oelhoffen

Sbre Eanne

A Ferro e Fogo: a história e a devastação da Mata Atlântica brasileira

O livro “A Ferro e Fogo” deveria ser considerado um documento para que todos os brasileiros pudessem ler. É um trágico relato sobre a destruição da Mata Atlântica desde a chegada dos portugueses ao Brasil. O autor Warren Dean, um historiador americano, descreve de forma brilhante a devastação que assolou o país, primeiro devido a extração do pau-brasil, depois pelo cultivo da cana-de-açúcar e do café, além da derrubada e queimada para o pasto. Lembro que durante muitas passagens do livro, o autor menciona que a derrubada da Mata Atlântica era feita sem nenhum controle, sem nenhum10671_ga preocupação, como se toda aquela abundância de Natureza fosse durar para sempre. E não foram só os portugueses que contribuíram para o esgotamento deste bioma de floresta tropical, mas os próprios índios e descendentes. Também há relatos no livro sobre a sujeira nas cidades e os casos de roubos naquela época. É um livro minucioso, que prende a atenção pelos detalhes e retrata uma terra de riquezas abundantes, que não foi poupada pelos homens e mulheres que aqui se estabeleceram. Warren Dean, logo depois de escrever ” A Ferro e Fogo”, em 1994, morreu num trágico acidente (asfixiado pelo gás que vazou onde se hospedava) em Santiago, onde iria escrever um livro sobre os Andes.

Foto: Internet
Foto: Internet
Foto: SOS Mata Atlântica - mapa atual
Foto: SOS Mata Atlântica – mapa atual

Título: A Ferro e Fogo: a história e a devastação da Mata Atlântica brasileira

Autor: Warren Dean

Editora: Companhia das Letras

nº de páginas: 484

Preço médio: R$ 67,00

Sbre Eanne

Histórias de viagem – Comida

Viajar é muito mais que conhecer lugares novos. Antes de tudo é aprender sobre novas culturas, músicas, costumes, comida. Entre muitas coisas que aprendi, uma delas foi a diversidade de alimentos, não só em relação a variedade (que para quem mora no Brasil nem é tão surpreendente por termos essa diversificação de frutas, legumes), mas pela composição dos pratos.

Foto: acervo pessoal: Grand Baazar / Istambul
Foto: acervo pessoal: mercado em Damasco

Desde pequena, aprendi que não podia faltar na mesa o nosso famoso arroz e feijão e mais uma proteína que podia ser um ovo ou carne. Cresci acostumada a comer esse prato e achava que essa combinação era a mais completa. Claro que muitos brasileiros dispõe à mesa do almoço ou jantar essa dupla, pois faz parte da nossa cultura culinária o arroz e feijão. Porém, com o tempo e minhas andanças, descobri que outros povos comem diferentemente dos brasileiros, e em alguns países, a montagem do prato é muito mais completa do que no Brasil (falo da comida do dia-a-dia). Por exemplo, na Turquia (uma das minhas preferidas), há muitas opções de acompanhamentos: berinjela com carne moída, kebab, verduras, se usa muito iogurte, pão tipo sírio, pepino, azeitonas, peixe e para finalizar os deliciosos doces com pistache.

Foto: Internet
Foto: Internet
Foto acervo pessoal: doceria na Turquia
Foto acervo pessoal: doceria na Turquia

Para os sírios, a variedade de ingredientes também é fundamental: coelho, carneiro, hortelã, saladas, verduras, tahine, cuscus, humus, pão sírio, amêndoas, tâmaras, especiarias, babaganouch. São servidos em pequenas porções dentro de cumbucas e muitas vezes se utiliza do pão como talher. Frequentemente há pistaches nos doces e o sorvete mais famoso é de leite com pistaches picados.

Foto acervo pessoal: Damasco / Síria
Foto acervo pessoal: Damasco / Síria

Na Grécia, onde é famosa a chamada cozinha mediterrânea, se usa muito queijo feta, iogurte, salada com tomates e pepinos, verduras. E segue a maneira de comer européia chamada de menu nos restaurantes com uma entrada, prato principal e por último uma sobremesa ou fruta. Abaixo na foto, uma salada de atum, pepinos, tomates, ovos, iogurte.

Foto acervo pessoal: Kos/ Grécia
Foto acervo pessoal: Kos/ Grécia
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Foto acervo pessoal: salada em Atenas / Grécia

Neste dia (foto abaixo), onde comemos num albergue localizado num pequeno vilarejo dos Pirineus, na França, o prato escolhido foi uma salada de entrada, risoto de alho poró como prato principal e de sobremesa um perfeito creme Brulle. A culinária francesa além de ser saborosa tem uma característica que encontramos nas cidades da França: capricho. A moça que servia os pratos nos informou que a salada era de verduras colhidas na hora, da horta. E as flores foram para enfeitar o prato. Além disso, antes da refeição ela nos serviu um aperitivo que nunca mais vou esquecer de tão gostoso. Pena que não peguei o nome.

Foto acervo pessoal: França
Foto acervo pessoal: França

Já na Ásia, mais precisamente no Vietnã, os pratos também são servidos em pequenas porções, com muitas verduras e legumes e sabores levemente picantes. Há bastante molhos e o arroz sempre acompanha as refeições. O prato mais popular é uma sopa chamada de Pho, que pode ser de carne ou ave, como se fosse um caldo. A foto abaixo foi tirada na casa de moradores de um vilarejo chamado Mai Chau. Primeiro tomamos um chá todos juntos e logo depois nos deixaram a sós para desfrutar a refeição.

Foto acervo pessoal: Vietnã
Foto acervo pessoal: Vietnã

Gosto muito também dos famosos noodles, que são sopas com macarrão de arroz e podem ter carne, frango e frutos do mar. Geralmente são picantes. Comemos noodles muitas vezes na Nova Zelândia (lá tem muitos asiáticos) e em Londres.

Depois de experimentar tantos sabores, me tornei mais aberta e flexível nas combinações. Por exemplo, a batata, que é um dos legumes mais consumidos no mundo pode ser substituído pelo arroz. Nunca encontrei feijão cozido com caldo como o nosso nos países que visitei e percebi que ele pode ser trocado facilmente por ervilha e grão-de-bico.

É claro que na nossa alimentação seguimos a nossa história, aquilo que foi nos ensinado e passado de geração para geração. A mesa farta, com porções generosas, o preço das frutas (que apesar de serem caras para nós, em outros países é muito mais), faz parte da nossa cultura e é um privilégio dos brasileiros. Mesmo assim, acredito que seja importante conhecer novos sabores, novas formas de composição dos pratos, novas formas de servir as refeições, pois todo esse conhecimento pode servir de inspiração para uma boa alimentação.

Bar e Lanches Estadão

Em cada grande megalópole deveria existir um espaço onde diferentes grupos e classes sociais frequentem, a despeito de suas contradições e constantes disputas. Espaço este que pode ser relativo às artes, ou aos esportes – por exemplo, assistir um jogo de futebol na arquibancada anos atrás – ou então à gastronomia. São Paulo é uma cidade multicultural por natureza e é também espelho do principal problema brasileiro: a violenta desigualdade que vai da Cracolândia à Rua Oscar Freire, da Brasilândia até o Pacaembu, do Capão Redondo até as Perdizes. Desigualdade aética (não confundir com Aécio, embora sejam muito semelhantes), símbolo maior do Brasil.

O Bar e Lanches Estadão fica no centrão, ali na esquina formada pela Rua Martins Fontes, Avenida São Luis e Rua Cel. Xavier de Toledo. Foi aberto em dezembro de 1968, mês em que foi decretado o famigerado AI-5. É assim chamado, pois a redação do jornal O Estado de S. Paulo ficava ao lado, sendo posteriormente – se não me engano – a sede do extinto jornal A Gazeta Mercantil.

O Estadão a rigor é uma lanchonete onde são servidos também refeições. Não existem mesas, você tem que sentar no balcão. Funciona 24 horas todos os dias da semana, e se não mudou fecha apenas no Natal e acho que na sexta feira santa. É relativamente barato, com os pratos do dia saindo por volta de R$ 15 – R$ 20; o seu tradicional pernil vale hoje R$ 14, na versão mais simples.

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Sou frequentador já faz tempo do Estadão. Comi muitas vezes feijoada de madrugada, de sexta para sábado, onde é servida desde as 21:00 hs mais ou menos. Feijoada de madrugada + futebol no sábado de manhã era uma combinação irresistível, mas às vezes trágica, especialmente para um goleiro…

No Estadão vi a maior combinação de tipos urbanos existente em São Paulo: taxistas, filósofos, trabalhadores braçais, policiais, bandidos, homens da lei – nestes últimos é difícil a distinção -, putas, putos, travestis, físicos, religiosos, ateus, profetas, jornalistas, atores e artistas em geral.

Tinha um atendente que me atendia de madrugada – um senhor que ficava no caixa, gordo e de bigode, esqueço o seu nome, trabalhava somente na madrugada  – que compartilhava comigo o hábito de beber Underberg, que segundo ele é a única bebida recomendada, pois apresenta em seu rótulo a assinatura de um médico. Este senhor já faleceu, infelizmente.

Para os vegetarianos, existe em frente, na outra calçada, o restaurante vegetariano Nutrisom.

Quando alguém de fora me pergunta um lugar para comer em São Paulo, eu recomendo o Estadão: um lugar simples e barato, com excelente comida e excepcionais lanches, e principalmente, um mosaico de que é – ou deveria ser – São Paulo.

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Endereço:
Viaduto Nove de Julho, 193
Centro – São Paulo – SP

Website: http://www.estadaolanches.com.br/index.html

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As melhores fotos do dia

Londres – Reino Unido: céu limpo e azul para os jogadores ingleses que se aquecem no The Oval Cricket Ground.

Fotografia:  Christopher Lee/Getty
Fotografia: Christopher Lee/Getty

Londres – Reino Unido: cabeça nas alturas: visitantes relaxam no mais alto jardim suspenso na torre The Shard.

Foto: Ray Tang/REX Shutterstock
Fotografia: Ray Tang/REX Shutterstock

Faixa de Gaza – olho do espião: duas crianças palestinas olhando para fora de uma janela num muro pintado pelo artista alemão AKot. O mural está no muro das casas destruídas durante os 50 dias de ofensiva israelense em julho e agosto de 2014.

Fotografia: Wissam Nassar/Xinhua Press/Corbis
Fotografia: Wissam Nassar/Xinhua Press/Corbis

Tal Abyad – Turquia: refugiados sírios vindos da cidade de Tal Abyad esperam por transporte depois de cruzar a Turquia.

Fotografia:Osman Orsal/Reuters
Fotografia:Osman Orsal/Reuters

Demir Kapija, Macedonia: um grupo de migrantes caminham na direção da fronteira com a Sérvia. A Macedônia tem se tornado uma das principais rotas de trânsito para milhares de migrantes vindos do Oriente Médio e África, entrando pela vizinhança grega no caminho para os países da Europa Ocidental.

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Fotografia: Robert Atanasovski/AFP/Getty Images

Baku – Arzebaijão: uma mulher sentada na escultura de um caracol perto do Heydar Centro Cultural Aliyev antes do 1º Jogos Europeus. Muitas empresas da Mídia, foram banidos na cobertura dos Jogos em Baku.

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Fotografia: Jamie Squire/Getty Images for BEGOC

Queensland – Austrália: um bebê koala segura sua mãe enquanto ela se submete a uma cirurgia no hospital do zoológico australiano selvagem em Queensland. Os koalas foram levados para o hospital depois que a mãe foi atropelada por um carro. Eles foram reunidos depois da bem sucedida cirurgia.

Fotografia: Ben Beaden/AFP/Getty Images|zx
Fotografia: Ben Beaden/AFP/Getty Images|zx

Paris – França: um recém casal posa para fotos do casamento no pôr-do-sol na ponte Alexandre III.

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Fotografia: Ludovic Marin/AFP/Getty Images

Newmarket – Reino Unido: um cavalo faz o caminho de volta ao estábulo depois de galopar em Newmarket.

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Fotografia: Alan Crowhurst/Getty Images

Tókio – Japão: Bon-chan, uma tartaruga africana masculina de 19 anos vai fazer uma caminhada com o seu dono Hisao Mitani. Aparentemente Bon-chan adora frutas e vegetais e frequentemente a vizinhança oferece cenouras para a tartaruga.

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Fotografia: Kazuhiro Nogi/AFP/Getty Images

Finlândia: olhando para fazer um selfie? Um urso pardo europeu se aproximou da camêra do fotógrafo Luke Massey.

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Fotografia: Luke Massey/REX Shutterstock

Leiden – Holanda: voluntários ajudam na construção de um trabalho de arte chamado Sacos Plásticos, idealizada pelo artista camaronês Pascale Marthine Tayou no De Meelfabriek, que faz parte da exibição de arte Global Imagination.

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Fotografia: Jerry Lampen/EPA

Porto da Espanha – Trinidad Tobago: uma vendedora ambulante vende abóboras em cima de um carro, em meio as notícias de corrupção da Fifa.

Fotografia: Joe Raedle/Getty Images
Fotografia: Joe Raedle/Getty Images

Basildon – Reino Unido: tempo para um banho de sol: uma libélula descansa no nascer do dia em volta do rio Thames.

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Fotografia: Geoffrey Swaine/REX Shutterstock

Fonte: The Guardian

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