A escola de antigamente era melhor que a de hoje?

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Foto: internet
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A escola delimita espaços. Servindo-se de símbolos e códigos, ela afirma o que cada um pode (ou não pode) fazer, ela separa e institui. Informa o “lugar” dos pequenos e dos grandes, dos meninos e das meninas. Através de seus quadros, crucifixos, santas ou esculturas, aponta aqueles/as que deverão ser modelos e permite, também, que os sujeitos se reconheçam (ou não) nesses modelos. O prédio escolar informa a todos/as sua razão de existir. Suas marcas, seus símbolos e arranjos arquitetônicos “fazem sentido”, instituem múltiplos sentidos, constituem distintos sujeitos.

… Ao longo da história, as diferentes comunidades (e no interior delas, os diferentes grupos sociais) construíram modos também diversos de conceber e lidar com o tempo e o espaço: valorizaram de diferentes formas o tempo do trabalho e o tempo do ócio; o espaço da casa ou o da rua; delimitaram os lugares permitidos e os proibidos (e determinaram os sujeitos que podiam ou não transitar por eles); decidiram qual o tempo que importava (o da vida ou o depois dela); apontaram as formas adequadas para cada pessoa ocupar (ou gastar) o tempo… Através de muitas instituições e práticas, essas concepções foram e são aprendidas e interiorizadas; tornam-se quase “naturais” (ainda que sejam “fatos culturais”). A escola é parte importante desse processo.

Trecho extraído do livro (p. 58-59): Gênero, sexualidade e educação.Guacira Lopes Louro – Petrópolis, RJ Uma perspectiva pós-estruturalista / Editora Vozes, 1997.

Depois de ler o trecho acima, penso como foi os primeiros anos de escola. Para entrar na sala, deveríamos fazer uma fila indiana: meninas de um lado, meninos de outro. As meninas colecionavam papel de carta e pulavam amarelinha e os meninos jogavam bola e brincavam de peão. As meninas tinham o estigma de serem obedientes, organizadas, estudiosas e boas em português. Já os meninos eram bagunceiros, porém bons em matemática. Só agora consigo pensar que a escola era como uma fôrma que moldava os estudantes. As crianças precisavam de alguma maneira corresponder as expectativas da sociedade, que eram representadas por pessoas próximas: os pais, o professor, os vizinhos, o médico. Elas tinham que ser como os adultos gostariam que elas fossem. Se alguém não se encaixasse no perfil esperado, logo era visto como um “problema”. Quando as pessoas afirmam que a escola de antigamente era melhor, logo penso: “Claro, a escola era seletiva, não era para todos, por isso era mais fácil o controle sob aqueles que a frequentavam”. Os alunos eram mais homogêneos, em vários sentidos: capital cultural, maioria brancas, famílias aparentemente estruturadas, além da educação no passado ser realmente uma alavanca para um futuro melhor. E agora o que aconteceu com a escola? A escola é para todos, ou pelo menos para a maioria. E essa maioria é diversa, cheia de conflitos, com diferente histórias e desejos. Na verdade, o que mudou foram os alunos, mas e a escola mudou? Ou ainda ela é a mesma: autoritária, reprodutiva de padrões de comportamento, burocrática, moralista e produtora de desigualdades. 

Sbre Eanne

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