Parte 2 – Trabalho: o percurso profissional

vffgf

É comum quando saímos de um emprego (principalmente se estamos fartos e desmotivados), desprezarmos tudo que se refere ao nosso passado profissional. Passar uma borracha no que vivemos significa levantar a cabeça e olhar para frente, a espera de uma nova oportunidade. No entanto, refletir sobre o que fizemos de positivo no emprego anterior pode ser uma forma proveitosa de não desperdiçar tudo aquilo que construímos dia-a-dia através de nossas decisões. Às vezes uma tarefa que parecia simples e rotineira pode servir de exercício para a construção de um hábito importante. São pequenas coisas que formam uma postura ativa, positiva e diferenciada. Mas isso só é possível se sabermos enxergar e compreender o que contribuiu para nosso aprimoramento.

Quando eu trabalhava na área de vendas, sempre tinha o conselho da gestora de não ficar parada, sem ter nada para fazer. Claro que achava chata aquela observação, mas mesmo assim praticava, e o tal movimento que fazia gerava mesmo movimento de clientes. Parece um exemplo bobo, mas que continuamente colocado em prática me tornava uma pessoa dinâmica, com iniciativa. Agora, em qualquer função me sinto com uma disposição natural de criar situações que não me deixem ociosa, pensando bobagens e distraída durante meu horário de trabalho. Pelo contrário, a preparação e planejamento das minhas ações que “movimentam” a minha rotina, só trazem benefícios e resultados positivos, não só profissionalmente, mas também na vida pessoal. E esse é só um exemplo das pequenas atitudes que transformam um simples empregado em um profissional.

Sbre Eanne

Também leia… Parte 1: Construir uma vida profissional

House of Cards

Terminamos de assistir a terceira temporada de House of Cards (HC), disponível na TV torrent. Trata-se de uma aclamada série feita pela Netflix, tendo obtido vários prêmios desde então e uma ótima recepção na crítica especializada.

A série descreve basicamente os meandros da política americana e suas respectivas correlações: poder político, mídia, poder econômico, poder pessoal. Comentarei a respeito da terceira temporada logo, mas antes gostaria de fazer uma pequena reflexão da política como ela é vista hoje, e que é muito bem retratada nesta charge do Angeli:

AngeliPolitica

Motivado pelo fim da 3ª temporada, reli um pequeno grande ensaio do escritor Paul Goodman chamado A Política Normal e a Psicologia do Poder que está disponível em português aqui. Goodman discorre primeiramente sobre o poder abstrato, que provém de uma fonte exógena, e que é um contraponto ao poder normal, que ele define como “as relações constitucionais entre os interesses funcionais e os grupos de interesses dentro da comunidade em que interagem”. Este poder normal poderia ser imaginado como intrínseco a nós seres humanos e mais genericamente à ordem dos primatas, sendo muitas vezes estudado pelos estudiosos da área, como por exemplo no fantástico livro de Frans de Waal, Chimpanze Politics.

Voltando ao Goodman vale a pena citá-lo mais uma vez: “…inevitavelmente acontece que qualquer homem dotado de ambição deseja obter o Poder e qualquer nação luta para tornar-se o Grande Poder. E quanto maior for a ânsia de poder de alguns, mais necessário parecerá aos outros competir ou submeter-se, para que possam sobreviver – e estarão certos. Muitos se tornam cruéis e impiedosos e outros vivem amedrontados. Mas não é só isso que acontece; o pior ocorre quando os homens começam a pensar que o importante não são os benefícios que o poder lhes permitirá obter mas o poder em si, o prestígio que ele confere…”.

Isto poderia ser perfeitamente uma sinopse de House of Cards, principalmente nas duas primeiras temporadas.

Proudhon, baseado em sua própria experiência pessoal como constituinte, já havia alertado que os políticos são “…justamente os homens que mais completamente desconhecem a situação do país são aqueles que o representam…”

Voltando à série, acho que na terceira temporada de HC os roteiristas quiseram redimir a política com “p” minúsculo e os políticos, impondo aos personagens espasmos de humanidade e preocupações éticas elevadas contrariando um pouco a primeira e a segunda temporada, onde o que se viu foi uma boa ilustração da famosa frase “os fins justificam os meios”, inclusive expondo a mídia como corrupta e basicamente interessada não na verdade pública, mas na verdade baseada unicamente nos seus interesses.

Alguém por exemplo pode imaginar uma primeira dama americana e doublé de secretária de estado, tendo um arroubo humanista em razão de um dissidente gay, e por causa disto perdendo o cargo, e também humilhando um presidente russo com um veemente Shame on You? Ou esta mesma personagem peitando a embaixadora israelense? Ou então um presidente que genuinamente se preocupa com o bem estar da população através da geração de empregos? Meus amigos, mas nem que a porca torça o rabo. Há também, a meu ver, uma certa melodramaticidade que não havia nas duas primeiras temporadas. Como contraponto positivo, algumas cenas bacanas (como quando Frank Underwood diz para sua oponente na corrida presidencial, “agora você é uma de nós”) e o sempre espetacular desempenho de Kevin Spacey e Robin Wright, uma arrogante que dá vontade de socar a televisão. O elenco de apoio também está ótimo, como de praxe em quase todas as séries americanas.

Uma excelente crítica sobre o HC que gostei bastante, embora discordando em alguns poucos pontos, pode ser vista aqui.

Bom, só resta esperar agora a quarta temporada. Mesmo inferior à hors concours Breaking Bad e Sons of Anarchy, (excelente e um tanto subestimada), House of Cards é uma excelente série que eu classificaria como quase imperdível. E para terminar, uma outra charge da genial Laerte:

laerte politica

Parte 1 – Trabalho: construir uma vida profissional

FGFGFGFFTrabalhei na mesma empresa por 12 anos seguidos. Acredito que seja um tempo razoável para você crescer e desenvolver seu potencial num mesmo local. Na verdade não existe um tempo determinado em anos, mas existe um tempo determinado pelo seu entusiasmo. Ou você gosta muito do que faz e se sente motivado sempre em busca de novos desafios dentro da própria empresa ou acaba desinteressado, desmotivado e tem aquele sentimento de infelicidade quando sai de casa para ir ao trabalho. Nesse caso, o melhor é partir para outra… mas o que fazer depois de anos na mesma área?

O maior erro é ficar acomodado, reclamando e muitas vezes fazendo mal feito e sem vontade o serviço. Você desperdiça tempo e energia, além de ocupar uma vaga de alguém que precisa do emprego. Na verdade, o que acontece é que não somos orientados desde cedo e não temos essa percepção de nos preparar para a vida profissional. Arrumamos um emprego e logo ficamos instalados. A atenção é sempre voltada as questões do trabalho atual e esquecemos da nossa vida profissional, num sentido mais amplo, para o futuro. O futuro é logo ali e se você não se preparar para encará-lo, vai ficar angustiado por parecer que aquela situação não tem saída. Preparação significa pensar: ” Estou aqui agora, mas onde quero estar daqui 5, 10, 15 anos?”, “Quero continuar fazendo a mesma coisa?”, ” O que preciso fazer para planejar o meu futuro profissional?”.

Uma coisa que não vai mudar nada e se torna um discurso chato para aqueles que estão em volta é se colocar como vítima. Aí você logo pensa: “Parece que o destino não está a meu favor”… Como se não fosse você o responsável pela sua vida e pelas decisões que te levaram por aquele caminho. Planejar é pensar um bom tempo antes de sair: “A partir de agora, vou trabalhar para a mudança”. Algumas perguntas são importantes:

Em que área gostaria de atuar? O que preciso saber sobre a posição que desejo? Que cursos tenho que fazer? Como estabelecer contato com pessoas que já trabalham na área?

E muito mais eficaz do que pensar é agir. Agora só posso construir daqui por diante. É uma situação difícil ( já passei por isso) porque quando não há uma programação dos seus próximos passos você se sente perdido e não sabe o que fazer. Nessa hora, só pense numa coisa. O passado já ficou para trás e não tem como mudar. Se você se sente sem rumo, experimente coisas novas. Arrisque e não se importe se as pessoas irão achá-lo (a) louco (a) ou indeciso (a).

Também leia: Parte 2 – Trabalho: o percurso profissional

Sbre Eanne

Viajar viajando

Uma das colunas que gosto de acompanhar na assim chamada grande imprensa é a do Mr. Miles, publicada toda terça no Estado de S. Paulo. Adoro seus escritos porque ele trata com muito bom humor e conhecimento um dos meus assuntos preferidos: viagens.

Conhecer outros lugares e países é uma maneira de estender nossos horizontes, ampliando nossa capacidade de entender esse planeta de tantas e diversas culturas.

Há experiências que talvez não possam ser mais repetidas.

Por exemplo, estivemos em 2009 na Síria. Passamos por Damasco, Hama, Palmira, Apamea, Musyaf, Maalula, Krak des Chevaliers e Aleppo. Foi uma viagem fantástica, tesouros arqueológicos da humanidade por todos os lados e um dos povos mais hospitaleiros e solícitos que já conheci.. Li com muita tristeza as notícias de que Krak des Chevaliers estava sendo destruída pela guerra civil.

DSC05623

DSC05611

A estupidez da humanidade não tem limites. A minha filha creio que não terá oportunidades em visitar a Síria.

Comunicar-se com alguém que não fala a sua língua, e sem haver uma em comum, é uma das experiências mais incríveis que já passei. Tive uma conversa com um taxista na Bósnia que foi surreal e muito engraçada. Ele falava em bósnio, eu respondia em português e nos entendemos muito bem. Li em um livro de primatologia que os chimpanzés se comunicam muito por expressões faciais e talvez isso se tenha perdido na evolução quando nós humanos desenvolvemos a fala. Melhor então seria dizer que, eu e o meu amigo bósnio nos comunicamos facialmente muito bem!

Para viajar é preciso planejamento, mas hoje com a internet esta tarefa tornou-se muito mais fácil. Mais o mais importante mesmo é a vontade, o tesão de sair de sua toca e explorar sons, sabores e cores diferentes. Até com pouca grana é possível fazer viagens inesquecíveis. Uma das melhores esfihas que já comi foi em Damasco em uma rua secundária, onde não haviam turistas e ninguém falava em outra língua senão o árabe. Que fim levou esta família?

DSC05479

Um dos caras incríveis que conhecemos é o Eber Guny que ensina um pouco disso, e vale muito a pena conhecer a sua história e suas viagens através do seu site.

Enquanto você prepara a sua próxima viagem, uma dica de livro de um autor brasileiro contemporâneo – na verdade o livro é de 2003 – é o romance Mongólia, de Bernardo Carvalho. Ele passou alguns meses no país e escreveu um romance baseado nas suas experiências de viagens. É um grande relato fantástico do longínquo país, escrito com grande talento literário. Este livro ganhou o prêmio Jabuti de 2004.

sobre parma

A escola de antigamente era melhor que a de hoje?

Foto: internet
Foto: internet

A escola delimita espaços. Servindo-se de símbolos e códigos, ela afirma o que cada um pode (ou não pode) fazer, ela separa e institui. Informa o “lugar” dos pequenos e dos grandes, dos meninos e das meninas. Através de seus quadros, crucifixos, santas ou esculturas, aponta aqueles/as que deverão ser modelos e permite, também, que os sujeitos se reconheçam (ou não) nesses modelos. O prédio escolar informa a todos/as sua razão de existir. Suas marcas, seus símbolos e arranjos arquitetônicos “fazem sentido”, instituem múltiplos sentidos, constituem distintos sujeitos.

… Ao longo da história, as diferentes comunidades (e no interior delas, os diferentes grupos sociais) construíram modos também diversos de conceber e lidar com o tempo e o espaço: valorizaram de diferentes formas o tempo do trabalho e o tempo do ócio; o espaço da casa ou o da rua; delimitaram os lugares permitidos e os proibidos (e determinaram os sujeitos que podiam ou não transitar por eles); decidiram qual o tempo que importava (o da vida ou o depois dela); apontaram as formas adequadas para cada pessoa ocupar (ou gastar) o tempo… Através de muitas instituições e práticas, essas concepções foram e são aprendidas e interiorizadas; tornam-se quase “naturais” (ainda que sejam “fatos culturais”). A escola é parte importante desse processo.

Trecho extraído do livro (p. 58-59): Gênero, sexualidade e educação.Guacira Lopes Louro – Petrópolis, RJ Uma perspectiva pós-estruturalista / Editora Vozes, 1997.

Depois de ler o trecho acima, penso como foi os primeiros anos de escola. Para entrar na sala, deveríamos fazer uma fila indiana: meninas de um lado, meninos de outro. As meninas colecionavam papel de carta e pulavam amarelinha e os meninos jogavam bola e brincavam de peão. As meninas tinham o estigma de serem obedientes, organizadas, estudiosas e boas em português. Já os meninos eram bagunceiros, porém bons em matemática. Só agora consigo pensar que a escola era como uma fôrma que moldava os estudantes. As crianças precisavam de alguma maneira corresponder as expectativas da sociedade, que eram representadas por pessoas próximas: os pais, o professor, os vizinhos, o médico. Elas tinham que ser como os adultos gostariam que elas fossem. Se alguém não se encaixasse no perfil esperado, logo era visto como um “problema”. Quando as pessoas afirmam que a escola de antigamente era melhor, logo penso: “Claro, a escola era seletiva, não era para todos, por isso era mais fácil o controle sob aqueles que a frequentavam”. Os alunos eram mais homogêneos, em vários sentidos: capital cultural, maioria brancas, famílias aparentemente estruturadas, além da educação no passado ser realmente uma alavanca para um futuro melhor. E agora o que aconteceu com a escola? A escola é para todos, ou pelo menos para a maioria. E essa maioria é diversa, cheia de conflitos, com diferente histórias e desejos. Na verdade, o que mudou foram os alunos, mas e a escola mudou? Ou ainda ela é a mesma: autoritária, reprodutiva de padrões de comportamento, burocrática, moralista e produtora de desigualdades. 

Sbre Eanne

Crianças perdidas

Agora que sou mãe, me sinto mais sensível em relação as notícias de maus tratos e abusos cometidos contra as crianças. Não que antes tinha algum tipo de compreensão ao fato de um adulto se aproveitar de sua capacidade física para ferir (e aí pode se entender de todas as formas) uma criança, mas agora tenho uma melhor percepção da fragilidade e ingenuidade desses pequenos indivíduos. Os abusos são desde sexuais até o abandono e humilhação. Outro dia uma professora do meu curso fez um relato, que uma mãe foi até a escola onde seu filho de 9 anos estudava para pedir que o conselho tutelar cuidasse da criança porque ela não estava apta para tal. Ou seja, o desejo da mãe era se “livrar” de um “problema” que ela não dava conta de resolver, assim como se faz com um aparelho eletrônico que não funciona mais e não tem conserto. Também assisti a um vídeo numa rede social, que uma suposta mãe espancava o filho com um cinto pela rua e o empurrava-o para dentro de casa como se fosse um animal (os animais não mereceriam isso). E hoje li a notícia no blog do Jamil Chade sobre estupros cometidos

Foto: Internet
Foto: Internet

pelas tropas internacionais francesas alocadas na África Central (reportagem no The Guardian), que abusam de crianças que deveriam ser defendidas e protegidas por estes mesmos soldados. É uma vergonha para a humanidade. Mas o fato é que diante tamanha indignação, tristeza e pesar por saber que tantas crianças sofrem no mundo ainda sei que não posso mudar isso. O que posso e devo fazer é me comprometer na educação e no cuidado, proteger a integridade física e moral e contribuir na construção do intelecto da minha filha. É ser responsável, não só no sentido de ter que abrigar e dar comida, mas também em transformar uma criança num adulto que seja capaz de respeitar e compreender o outro. Minha obrigação como mãe e cidadã é refletir sobre o meu discurso e atitudes diante minha filha e não desistir, mas reconsiderar e avaliar o caminho a ser percorrido. É proteger e não se valer da violência como forma de punição ou extravasamento da falta de paciência ou compreensão. Só posso mudar o que está ao meu alcance, mas posso fazer com afinco e dedicação. Se cada um de nós nos responsabilizasse em cuidar de nossas crianças, o mundo estaria bem melhor.

Sbre Eanne